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Vorcaro visitou Banco Central 17 vezes após alertas de risco de liquidez

Reuniões coincidem com crise que levou à liquidação do Master

Daniel Vorcaro, CEO e principal controlador do Banco Master, esteve no Banco Central (BC) em 17 ocasiões distintas entre fevereiro e outubro de 2025, período em que a autarquia já havia emitido alertas graves sobre risco de liquidez e possibilidade de sanções ao conglomerado.

Os dados, obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) e revelados pela colunista Malu Gaspar no O Globo nesta quinta-feira (5 de fevereiro de 2026), mostram que as visitas ocorreram em meio a negociações intensas que não evitaram a liquidação extrajudicial do banco em novembro de 2025 e a prisão de Vorcaro na Operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF).

Foram registradas 18 agendas na Presidência do BC (provavelmente com o presidente Gabriel Galípolo) e 17 com a Diretoria de Fiscalização (comandada por Aílton de Aquino), nos gabinetes da presidência, Diretoria de Fiscalização, Departamento de Supervisão Bancária e Coordenação-Geral de Inteligência Financeira. A última visita documentada aconteceu em 1º de outubro de 2025, apenas 48 dias antes da liquidação.

O primeiro alerta formal do BC sobre dificuldades de captação de recursos e risco de adoção de “medidas prudenciais preventivas” veio em novembro de 2024. Em abril de 2025, o BC notificou Vorcaro de que “as ações implementadas até aquela data eram insuficientes para mitigar o risco de liquidez do conglomerado”.

O Master parou de recolher depósitos compulsórios, assinou termos de compromisso para recomposição imediata de liquidez (com prazos prorrogados até setembro/outubro), pediu suspensão temporária do compulsório (rejeitada) e enfrentou veto unânime à venda de controle para o BRB em setembro de 2025.

As reuniões frequentes coincidem com eventos críticos: detecção de irregularidades em carteiras de crédito vendidas ao BRB em julho de 2025, acionamento do MPF e envio de cronologia ao TCU em dezembro de 2025. A defesa de Vorcaro não comentou a reportagem até o fechamento.

O caso Master segue sob investigação da CPMI do INSS, CPI do Crime Organizado e PF, com suspeitas de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e rombos bilionários.

A frequência das visitas levanta questionamentos sobre fiscalização, pressão regulatória e possíveis omissões ou facilidades.

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