Ministros em saída do Governo Lula intensificam verbas para estados de origem e inaugurações com tom eleitoral visando 2026
Ministros do governo federal que planejam deixar os cargos nos próximos meses para disputar as eleições de outubro intensificaram a destinação de recursos federais para seus estados de origem ou redutos eleitorais. A estratégia inclui envio acelerado de verbas via convênios, entrega de obras e inaugurações com forte viés eleitoral, em um movimento que ocorre às vésperas do prazo de desincompatibilização (abril) e levanta debates sobre uso da máquina pública.
De acordo com levantamento do jornal O Globo, quatro ministros destacam-se nesse cenário: André Fufuca (Esporte), Camilo Santana (Educação), Carlos Fávaro (Agricultura) e Waldez Góes (Integração Nacional). Cada um priorizou investimentos significativos em seus territórios:
- André Fufuca (Maranhão): O ministério destinou R$ 170,3 milhões em 2025 para obras esportivas no estado (aumento de 144,7% em relação a 2024), superando Rio de Janeiro e São Paulo. Fufuca inaugurou arena em Pedro Rosário, gravou vídeos para redes sociais enaltecendo o governo e entregou 17 retroescavadeiras a prefeitos aliados. Ele busca vaga no Senado pelo PP.
- Carlos Fávaro (Mato Grosso): R$ 132,9 milhões repassados a prefeituras entre novembro e dezembro de 2025 (aumento de 209,7%). Fávaro entregou tratores em municípios como Várzea Grande, com agenda intensa no estado. Pretende disputar Senado.
- Camilo Santana (Ceará): R$ 154,2 milhões em creches, centros de educação infantil e escolas de tempo integral. O foco é apoiar a reeleição do governador Elmano de Freitas (PT), ameaçada por Ciro Gomes; Santana pode ser alternativa caso necessário.
- Waldez Góes (Amapá): R$ 71,8 milhões em convênios (R$ 45,9 milhões ao governo estadual e R$ 17,7 milhões a prefeituras aliadas). Góes capitaliza entregas em redes sociais, incluindo máquinas de costura para escola de samba. Planeja candidatura ao Senado.
Os ministérios justificam as liberações com critérios técnicos e legais. O Esporte citou “o Maranhão possui um déficit histórico de infraestrutura esportiva”. Agricultura afirmou que “A priorização dos projetos obedece aos cumprimento de requisitos técnicos em convênios, capacidade de execução por parte das entidades proponentes e a relevância dos mesmos para o desenvolvimento agropecuário regional”. Educação destacou que “Os critérios de priorização são definidos, em regra, com base em dados de desenvolvimento da educação”.
Especialistas em direito administrativo, como o professor Gladstone Felippo, alertam para riscos de desvio de finalidade: “A máquina na mão é um canhão para eleição. Se o envio dessas verbas tiver conotação de interesse público, não há questão. O problema é quando o uso de recursos às vésperas do pleito tem o interesse pessoal de angariar voto. Esse tipo de conduta é muito clara como desvio de finalidade”.
O contexto ocorre em meio à expectativa de que até 20 ministros deixem o governo até abril para cumprir regras eleitorais e disputar cargos. A prática reforça a polarização pré-eleitoral de 2026, com oposição criticando “uso eleitoreiro” da máquina e base governista defendendo legalidade e atendimento a demandas regionais.


















