Hugo Carvajal enviou carta a Donald Trump se oferecendo para “expiar” seus atos e revelar detalhes de supostas conspirações de narcoterrorismo, drogas e imigração ilegal do regime chavista
O ex-general Hugo Carvajal Barrios, conhecido como “El Pollo”, antigo chefe da inteligência militar da Venezuela, surge como possível testemunha estrela da promotoria no julgamento de Nicolás Maduro nos Estados Unidos. Preso e condenado por narcoterrorismo, o militar de baixa estatura enviou uma carta ao presidente Donald Trump em dezembro passado manifestando disposição para cooperar com as autoridades americanas.

Carvajal, que atuou como diretor da inteligência militar no governo Hugo Chávez e depois no de Maduro, se declarou culpado em 2025 por acusações de tráfico de drogas e narcoterrorismo. Agora, com Maduro detido em uma prisão no Brooklyn após ser capturado por forças americanas em janeiro de 2026, o ex-espião pode trocar de lado e se tornar um dos principais colaboradores da acusação.
Em carta obtida pela CNN, Carvajal afirmou desejar “expiar” seus erros passados “para que os Estados Unidos possam se proteger dos perigos que testemunhei por tantos anos”. Ele alega que Maduro teria orquestrado uma estratégia deliberada contra os EUA, incluindo o envio de drogas, criminosos e espiões, além de suposta interferência em eleições americanas e colaboração com a gangue venezuelana Tren de Aragua.
A audiência de sentença de Carvajal foi adiada recentemente sem nova data marcada — um sinal, embora não definitivo, de que ele pode estar negociando um acordo de cooperação. O advogado Renato Stabile, especialista no assunto, classificou o adiamento como “um indicativo, embora não uma confirmação” de que o ex-general estaria fechando um acordo. Segundo ele, seria “altamente incomum” prosseguir com a sentença caso o réu esteja colaborando com as autoridades.
Carvajal rompeu com Maduro em 2019, declarou apoio ao opositor Juan Guaidó e fugiu para a Espanha, onde viveu escondido até ser preso e extraditado para os EUA em 2023. Ele era próximo de Chávez desde os tempos de quartel e comandou a Direção-Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM), órgão acusado de torturas e repressão a opositores.
A possível colaboração de Carvajal ganha ainda mais peso porque ele conhecia profundamente o funcionamento interno do regime venezuelano e já havia feito acusações graves contra o círculo de Maduro em entrevistas e publicações quando estava exilado.
Fonte: CNN


















