O deputado federal classifica aumento como questão de justiça
O deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, saiu em defesa ferrenha do reajuste salarial aprovado para os servidores da Casa. Em meio a um país que assiste a rombos bilionários no INSS, liquidações de bancos e aposentados sem reajuste real, Motta classificou o aumento como questão de “justiça” e garantiu: “não foi um trem da alegria”.
A declaração veio após a aprovação, em dezembro de 2025, de um reajuste que eleva os salários dos servidores da Câmara em até 26%, com impacto estimado em R$ 1,2 bilhão nos próximos anos. Para Motta, o aumento corrige distorções históricas e recompensa o “trabalho essencial” dos funcionários do Legislativo – aqueles mesmos que, em muitos casos, já recebem acima do teto constitucional graças a penduricalhos criativos.
Motta afirmou: “Não foi um trem da alegria”. Ele completou que o reajuste é “justiça” e que “não podemos tratar servidor público como inimigo da nação”.
Enquanto isso, o trabalhador comum acompanha com um sorriso amarelo: o mesmo Congresso que aprova supersalários para si mesmo discute corte de gastos e “responsabilidade fiscal” para o resto do país. A defesa do presidente da Câmara soa quase poética em um ano eleitoral, quando o discurso de austeridade costuma ser ensaiado para as urnas – mas não para os próprios bolsos.
O reajuste segue para sanção ou veto presidencial, mas o tom de Motta já antecipa a narrativa: quem questionar será acusado de atacar “o servidor público”. Porque, afinal, nada mais justo do que reajustar quem já ganha bem enquanto o resto da população aperta o cinto.


















