Instituição opera com práticas semelhantes às do extinto Banco Master, incluindo emissão de CDBs acima do mercado e venda de carteiras de crédito questionadas; mercado questiona intervenção do Banco Central em ano eleitoral
Enquanto o escândalo do Banco Master continua reverberando nos poderes da República e no sistema financeiro, uma nova crise ganha contornos preocupantes: o Digimais, banco controlado pelo bispo Edir Macedo (fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e acionista da Record), acumula patrimônio líquido negativo estimado em cerca de R$ 8,5 bilhões, segundo fontes do mercado, de acordo com a matéria da Revista Piauí.

Desde a eclosão da crise do Master em 2025 — que resultou em liquidação extrajudicial em novembro e rombo de R$ 52 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC) —, o mercado passou a escrutinar bancos menores com operações de risco elevado.
O Digimais chama atenção por adotar modelo similar ao do Master: emissão de CDBs com rentabilidades atrativas (até 125% do CDI, bem acima das taxas de instituições sólidas), uso intensivo da garantia do FGC (até R$ 250 mil por CPF) como isca para captar recursos, e distribuição via plataformas de grandes corretoras como XP e BTG Pactual.
Outra prática questionada é a venda de carteiras de crédito consignado que, segundo investigações, podem ser fraudulentas. Um processo em tramitação na 13ª Vara Cível de São Paulo, movido pelo fundo EXP1, alega que o Digimais vendeu carteiras no valor de R$ 650 milhões em fevereiro de 2025, mas auditoria da consultoria internacional UHY International Bendoraytes revelou que, dos 55 mil contratos, 22 mil não tinham lastro (totalizando R$ 500 milhões em créditos falsos). Muitos desses papéis eram vinculados ao próprio Master e à Reag (gestora liquidada).
O banco admitiu a inexistência dos créditos e tentou oferecer substitutos, mas o fundo recusou e pediu ressarcimento judicial.
A corretora ID (que gere fundos do Digimais) tem sócios e executivos ex-funcionários do Master, como Rodrigo Balassiano.
O banco opera no vermelho há quatro anos, e o rombo pode pressionar o FGC — fundo mantido pelos próprios bancos — em caso de intervenção ou liquidação. Fontes indicam que o FGC propõe assumir 70% da dívida, com o controlador cobrindo os 30% restantes (Edir Macedo resiste à ideia), e posterior leilão para aquisição por bancos sólidos.
Fonte: REVISTA PIAUÍ

















