Relator de ações sobre os atos de 2023 reconhece que votou com base na “lógica da urgência” e agora defende absolvição em vários crimes; declaração ocorre durante julgamento do núcleo de desinformação
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), reconheceu publicamente que cometeu injustiças em alguns dos julgamentos relacionados aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. A declaração foi feita nesta terça-feira (21 de outubro de 2025), durante o julgamento na Primeira Turma do STF sobre o chamado núcleo 4 da suposta trama golpista, ligado à disseminação de desinformação, de acordo com a matéria da CNN BRASIL.

Em seu voto, Fux explicou a mudança de entendimento:
“Meu entendimento anterior, julgamos muitos casos, embora amparado pela lógica da urgência, incorreu injustiças que o tempo e a consciência já não me permitiam sustentar”.
O ministro indicou que votará pela absolvição dos réus pelos crimes de suposta tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa e danos praticados nos atos de 8 de janeiro. Ele argumentou que a tipicidade dos crimes aplicados aos injustamente condenados anteriormente não deveria ser estendida aos réus do núcleo de desinformação.
Fux ainda defendeu que mudar de posição não representa fraqueza:
“O meu realinhamento não significa fragilidade de propósito, mas firmeza na defesa do Estado de Direito”.
E completou:
“O magistrado não deve buscar a coerência no erro”, afirmando que “não há demérito” para um juiz em reconhecer o próprio equívoco.
Fux foi o único ministro da Primeira Turma a divergir da maioria e votar pela absolvição em grande parte dos crimes no caso em análise, que também envolve o presidente Jair Bolsonaro.
Fonte: CNN BRASIL


















