Ex-governador de Minas e pré-candidato à Presidência reage a pedido de inclusão no inquérito das fake news e defende sátira como instrumento legítimo de democracia contra o que chama de “balcão de negócios” no Supremo
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) reagiu com contundência ao pedido feito pelo ministro Gilmar Mendes ao colega Alexandre de Moraes para que ele seja investigado no inquérito das fake news, de acordo com a matéria da Folha de São Paulo.

Em vídeo publicado em suas redes sociais, Zema usou fantoches e recursos de inteligência artificial para satirizar os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o que motivou a notícia-crime enviada por Gilmar Mendes.
“Esse processo é político. Se querem me intimidar, estão conseguindo o contrário. Me sinto mais indignado, mais inconformado e com ainda mais energia para criticá-los”, afirma Zema, que renunciou ao governo mineiro em março para lançar pré-candidatura à Presidência da República.
O mineiro reforçou sua posição em defesa da liberdade de expressão e do humor político: “Eu fui governador de Minas Gerais por quase oito anos. Me criticaram, fizeram charges, caricaturas. Isso é natural em uma democracia”.
Em seguida, Zema disparou a frase que já circula amplamente nas redes: “A critica com humor, como a do meu vídeo sobre o STF, faz parte da vida em uma democracia. O humor faz parte desde que o mundo é mundo. Se os ministros do STF querem mudar isso, vão ter que prender o Brasil inteiro. Não vão conseguir”.
Ele ainda criticou o comportamento de parte da Corte: “Ministros do STF que deveriam viver com comedimento optaram por ser midiáticos e ávidos por holofotes. Como qualquer outra figura pública, portanto, podem ser criticados”.
Zema não poupou o tom ao atacar diretamente a imagem do tribunal: “O Supremo é um balcão de negócios. Todo brasileiro sabe que há ministros que fizeram negócios com o maior chefe de facção do crime organizado no Brasil”, disse, referindo-se a supostas relações de ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli (ou seus familiares) com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.
Na notícia-crime protocolada por Gilmar Mendes, o decano do STF afirma que Zema “vilipendia não apenas a honra e a imagem deste Supremo Tribunal Federal, como também da minha própria pessoa”. O ministro destacou o uso de “sofisticada edição profissional e de avançados mecanismos de ‘deep fake’” no vídeo, que teria alcançado milhões de visualizações após ser republicado por diversos veículos de imprensa.
Fonte: Folha de São Paulo

















