Autoridades americanas veem propaganda inflada em dois casos recentes — fiscalização no Porto de Santos e detenção de Ramagem — e reagem com dureza: “tentativa de manipulação do sistema de imigração”
Integrantes do governo dos Estados Unidos (EUA) avaliam que o governo brasileiro agiu com “exagero” ao anunciar supostas parcerias em ao menos duas ocasiões recentes. A avaliação foi repassada diretamente à coluna de Paulo Cappelli, do Metrópoles, e revela crescente irritação de Washington com o que considera propaganda unilateral de Brasília.

O primeiro episódio ocorreu no dia 10 de abril. Representantes americanos se reuniram com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, para discutir a expansão da fiscalização remota no Porto de Santos. O encontro tratou apenas de uma carta de intenções, que sequer foi assinada pelos dois governos.
Ao final da reunião, porém, as autoridades brasileiras anunciaram em coletiva de imprensa a “formalização de uma cooperação com os EUA para o combate de armas e drogas”. O próprio petista Lula divulgou o suposto acordo em suas redes sociais. Para os EUA, não houve qualquer celebração de acordo novo.
O segundo caso que gerou estranheza em Washington foi o anúncio, no dia 13 de abril, da detenção de Alexandre Ramagem na Flórida. O governo brasileiro apresentou a ação do Immigration and Customs Enforcement (ICE) como resultado de “cooperação internacional”. Aliados de Ramagem já sustentavam que a medida decorria apenas da expiração do visto do brasileiro.
Ramagem foi liberado pelas autoridades americanas na quarta-feira (15 de abril) e continua no país. Após o episódio, o governo dos EUA apurou os fatos e, nesta segunda-feira (20 de abril), tomou medida concreta: solicitou a saída imediata do oficial de ligação da Polícia Federal com o ICE, Marcelo Ivo de Carvalho.
No comunicado oficial, o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental, ligado ao Departamento de Estado norte-americano, justificou a decisão com a seguinte declaração:
“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso.”
A reação americana expõe tensão nas relações bilaterais e reforça a percepção de que o governo brasileiro tem usado anúncios de “cooperação internacional” como instrumento de comunicação política, mesmo sem lastro formal nos acordos.
Fonte: Metrópoles


















