Presidente da Casa previu derrota por oito votos segundos antes de revelar o placar oficial; indicação do advogado-geral da União foi barrada por 42 votos a 34, em derrota histórica para o governo Lula
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), demonstrou total domínio do plenário ao prever, com precisão, o resultado da votação que rejeitou a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundos antes de anunciar o placar oficial, Alcolumbre foi questionado pelo líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), sobre o desfecho da sessão. Com o microfone ainda aberto, ele respondeu de forma direta: “Acho que ele vai perder por oito”.
O resultado confirmado instantes depois mostrou exatamente essa diferença: Messias recebeu 34 votos favoráveis e 42 contrários, sendo rejeitado por oito votos. Para aprovação, o nome precisava de pelo menos 41 votos favoráveis, maioria absoluta dos 81 senadores.
A assessoria de Alcolumbre confirmou que a voz captada na transmissão da TV Senado era do presidente da Casa e contextualizou a declaração: “O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, foi questionado pelo líder do governo, senador Jaques Wagner, sobre o placar da votação e, como outros parlamentares que, ao longo dos últimos dias, vinham fazendo avaliações, deu sua opinião. Isso só reafirma e demonstra a experiência do presidente da Casa em votações.”
Após proclamar o resultado, Alcolumbre bateu na mesa, jogou o microfone e abraçou o líder governista. Jaques Wagner, visivelmente surpreso, declarou ao deixar o plenário: “Para mim foi uma surpresa, [imaginava] 45, 44 [votos]. Mas cada um vota com a sua consciência.”
A rejeição de Jorge Messias representa a primeira derrota de uma indicação presidencial para o STF desde 1894. Com a mensagem arquivada, o presidente Lula terá de indicar um novo nome, que passará por nova sabatina e votação no Senado.
Alcolumbre foi o principal articulador contra a indicação de Messias desde o anúncio feito por Lula, defendendo abertamente o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso.
Fonte: G1


















