Aumento de infecções no país sul-americano, atribuído às mudanças climáticas, reforça suspeita de que passageiros contraíram o vírus Andes antes do embarque no MV Hondius
Autoridades argentinas e especialistas em saúde pública buscam determinar se o país foi o ponto de origem do surto de hantavírus que deixou três mortos a bordo de um cruzeiro no Atlântico. O caso ocorre enquanto a Argentina registra forte alta no número de infecções pela doença transmitida por roedores.

O navio MV Hondius partiu de Ushuaia, no sul da Argentina, em 1º de abril, com destino à Antártida e posteriormente a Cabo Verde. A bordo, cinco casos foram confirmados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com três óbitos registrados.
Patagônia argentina em alerta após caso confirmado de hantavírus, confira:
O Ministério da Saúde argentino informou 101 infecções por hantavírus desde junho de 2025, quase o dobro em relação ao mesmo período do ano anterior. Especialistas associam o aumento ao impacto das mudanças climáticas, que favorecem a proliferação de roedores.
O vírus Andes, cepa identificada nos passageiros do cruzeiro, é um dos poucos hantavírus capazes de transmissão entre humanos, embora isso seja raro. A transmissão ocorre principalmente por inalação de partículas de fezes, urina ou saliva de roedores infectados.
As autoridades argentinas investigam o itinerário dos passageiros infectados antes do embarque, especialmente um casal holandês que fez passeios em Ushuaia e outras regiões do país. A principal hipótese é que o contágio tenha ocorrido durante uma atividade de observação de aves ou em áreas florestadas da Patagônia.
A província da Terra do Fogo, onde o navio ficou ancorado, nunca havia registrado casos da doença. O período de incubação do vírus (de 1 a 8 semanas) reforça a suspeita de que a infecção aconteceu ainda em solo argentino.
A OMS classifica o risco à saúde pública como baixo e descarta qualquer comparação com uma nova pandemia.


















