Investigadores apontam infiltração de empresas de fachada em setores do comércio e serviços em Portugal como estratégia da facção para lavar dinheiro do tráfico de drogas
Autoridades e especialistas em segurança portuguesa identificaram uma rede de estabelecimentos comerciais, incluindo restaurantes, salões de beleza e cafeterias, supostamente envolvidos em esquemas de lavagem de dinheiro ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC), a maior facção criminosa do Brasil.
De acordo com o ex-policial e doutorando da Universidade de Coimbra, Roberto Uchôa, há indícios claros de que o grupo esteja reinvestindo lucros do narcotráfico em negócios aparentemente legítimos no país.
Essa prática não é isolada. Relatórios anteriores de investigações da Polícia Judiciária portuguesa e do jornal Expresso já apontavam a atuação do PCC em setores como construção civil, mercado imobiliário, aviação civil, importação de frutas exóticas, restaurantes e barbearias. Muitos desses negócios operam em áreas com aluguéis elevados, mas apresentam movimento de clientes insuficiente para justificar os custos operacionais.
Portugal tem se consolidado como um importante hub para o PCC na Europa, tanto para o tráfico de cocaína quanto para a reinserção de recursos no circuito legal. A proximidade linguística, facilidade de abertura de empresas e o fluxo migratório brasileiro facilitam a instalação dessas estruturas.
Especialistas alertam que essa infiltração vai além da lavagem de dinheiro e pode comprometer setores econômicos legítimos, gerar concorrência desleal e aumentar riscos à segurança pública. As autoridades brasileiras e portuguesas mantêm cooperação em investigações conjuntas para monitorar e desmantelar essas redes.
Fonte: Globo News


















