Após virar garrafa durante sessão remota em Minas Gerais, magistrado investigado dobra a aposta, grava novo vídeo e desfere ataques contra cortes superiores
Em uma cena que parece saída diretamente de um roteiro de comédia pastelão — mas que é tragicamente real —, um magistrado mineiro conseguiu transformar uma audiência virtual em um verdadeiro desabafo etílico, culminando em uma crise institucional regada a acusações mirabolantes.
O protagonista dessa saga digna de novela é o juiz Milton Lívio Leão Salles. Tudo começou quando o magistrado foi flagrado pelas câmeras da internet exercendo suas funções de forma bastante descontraída: bebendo vinho e fumando no meio de uma sessão remota de julgamento. A imagem, claro, correu o país e garantiu ao juiz um lugar de destaque nos registros mais bizarros do Judiciário nacional.
A defesa: Do flagrante à teoria da conspiração
Em vez de adotar a tradicional retratação ou o clássico pedido de desculpas protocolar, o juiz decidiu dobrar a aposta.
Incomodado com a repercussão e com o cerco que começava a se fechar, Milton Lívio Leão Salles publicou um novo vídeo. Nele, em vez de focar na garrafa de vinho que esvaziou durante o expediente, o magistrado vestiu o chapéu de detetive amador e afirmou ser alvo de uma campanha implacável de difamação.
Indignado com a investigação aberta pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) para apurar sua conduta funcional, o juiz resolveu mirar alto — muito alto. Na gravação, ele disparou contra o próprio tribunal mineiro e expandiu o alvo para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), o Supremo Tribunal Federal (STF) e, claro, o ministro Alexandre de Moraes.
Atores de dramas jurídicos costumam prezar pela sobriedade, mas o magistrado optou pelo confronto direto. No vídeo, ele alegou possuir informações privilegiadas sobre supostas irregularidades dentro do tribunal mineiro e garantiu que está de prontidão para peitar qualquer um que o ouse questionar.
O TJMG confirmou que o procedimento administrativo para investigar a conduta do juiz continua firme e forte, avaliando não apenas o brinde fora de hora, mas agora também a escalada verborrágica de seu próprio integrante.
Resta saber se a próxima defesa do magistrado virá acompanhada de petições jurídicas ou se ele vai preferir abrir mais uma safra para encarar os desdobramentos no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Fonte: G1
*Imagem da capa gerada por IA


















