Demora da PF em enviar dados de quebra de sigilo a André Mendonça intensifica tensão com o ministro, enquanto registros e mensagens reforçam suspeitas ligadas a contratos e lobby
Em meio a apurações da Polícia Federal sobre possíveis crimes de corrupção e tráfico de influência, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do petista Lula da Silva, aparece como alvo em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal. Paralelamente, dados oficiais mostram que ele esteve pelo menos 18 vezes no Palácio do Planalto desde 2023, em visitas que somam mais de 23 horas.

A Polícia Federal determinou a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telemático de Lulinha em dezembro de 2025, no contexto das investigações sobre desvios no INSS e irregularidades envolvendo o Banco Master. No entanto, os dados resultantes dessas diligências só foram encaminhados ao ministro André Mendonça, relator dos casos, mais de sete meses depois.
A demora é apontada como um dos fatores que geraram atrito entre a cúpula da PF e o magistrado. Diante da lentidão e de outras decisões da corporação que desagradaram Mendonça — como a mudança na coordenação da força-tarefa do INSS —, o ministro exigiu o envio dos dados brutos, ou seja, a íntegra das quebras de sigilo, diretamente ao seu gabinete.


As visitas de Lulinha ao Planalto, registradas entre junho de 2023 e janeiro de 2025, ocorreram em 15 dias distintos e variaram de 19 minutos a mais de quatro horas. Os dados foram obtidos via Lei de Acesso à Informação junto ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que não registra locais nem motivos das entradas. A defesa de Lulinha, por meio do advogado Marco Aurélio de Carvalho, afirma que se tratava de encontros com o pai e amigos, sem discussão de assuntos oficiais.
Esses registros ganham peso diante de mensagens interceptadas pela PF envolvendo Lulinha e a empresária Roberta Luchsinger. As conversas indicam que o filho do petista orientava negócios da lobista e participava de reuniões com figuras do núcleo próximo a Lula, como Marco Antônio Ribeiro (Marcola), então chefe de gabinete, e Swedenberger Barbosa (Berger), que ocupava cargo no Ministério da Saúde. A PF apura se Lulinha teria auxiliado Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, a obter contratos com o governo.
Uma das linhas de investigação envolve a possível articulação para aquisição de medicamentos à base de cannabis sem licitação. Luchsinger teria recebido cerca de R$ 1,5 milhão de repasses ligados a Antunes, e há mensagens em que ela discute a compra de joias de diamante avaliadas em R$ 9,2 mil para Ribeiro. Em outra troca de mensagens, Lulinha orienta Luchsinger a emitir nota fiscal para um empresário que acumulou mais de R$ 80 milhões em contratos públicos, a maioria na atual gestão.
Também há registros de convites para encontros envolvendo nomes do PT e de orientações sobre negócios. As apurações seguem em andamento sob a relatoria de André Mendonça. A combinação entre a frequência das visitas ao centro do poder e as mensagens apreendidas sustenta as suspeitas de tráfico de influência, enquanto a demora no envio dos dados de sigilo ilustra o clima de tensão institucional entre a Polícia Federal e o ministro do STF.
Fonte: CNN BRASIL / Metrópoles
*Imagem da capa gerada por IA


















