Decano do Supremo diz que reconhece apelo eleitoral da pauta, mas afirma que candidatos eleitos enfrentariam grandes obstáculos para colocá-la em prática no Senado
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quarta-feira (19) que a defesa do impeachment de integrantes da Corte se transformou em uma bandeira com forte apelo eleitoral. Segundo ele, porém, a distância entre o discurso de campanha e a execução prática é enorme. Em conversa com jornalistas após um evento em Brasília, o decano classificou a proposta como um “equívoco compreensível”, mas minimizou as chances de avanço concreto. “Certamente, algumas pesquisas indicam que isto tem um apelo eleitoral.
Entre o pensamento e a ação, o pensamento e o gesto, vai uma distância enorme”, declarou.
Mendes reforçou que, mesmo que candidatos que defendem a medida sejam eleitos para o Senado, a implementação seria complexa. “Se alguém com essa bandeira se tornar senador, ele terá imensas dificuldades de implementá-la. Todo o aparato institucional caminhará talvez num outro sentido”, completou.
O ministro também disse não estar preocupado com o crescimento dessa pauta entre aspirantes a cargos eletivos. A declaração ocorre em um momento em que a oposição, especialmente setores da direita, tem usado o tema como uma das principais bandeiras para as eleições de 2026.
Para aprovar o impeachment de um ministro do Supremo, são necessários 54 votos no Senado — exatamente o número de cadeiras que estarão em disputa neste ciclo eleitoral.
*Imagem da capa gerada por IA

















