O advogado Paulo Faria, que defende o perito Eduardo Tagliaferro, afirmou que existe um mandado de prisão contra seu cliente que não consta em registros públicos e só aparece no pedido de extradição enviado ao governo italiano. Em entrevista ao programa Sem Rodeios, da Gazeta do Povo, ele defendeu a responsabilização e a prisão do ministro do STF Alexandre de Moraes pela ausência de publicidade do documento.
A reportagem consultou o Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP), que não retorna resultados para o nome de Tagliaferro. Segundo Faria, a defesa não tomou conhecimento do mandado, que não consta nos autos do processo e não teve publicação de prisão preventiva. “Eles fizeram este documento, é o que tudo indica”, afirmou o advogado.

O mandado teria sido emitido em 31 de julho de 2025. As fichas de tramitação e relatórios de outras decisões, no entanto, não registram qualquer medida nesse sentido. Faria argumenta que o documento tramitou internamente e que os códigos de acesso não validam sua autenticidade.
Como providência, o advogado redigiu um ofício de 42 páginas pedindo a preservação da cadeia de custódia dos materiais, com o objetivo de embasar eventual responsabilização do magistrado. Também pretende comunicar o episódio à embaixada italiana em Brasília, para que o governo italiano o considere no julgamento do pedido de extradição.
Para Faria, as atitudes de Moraes demonstram que ele “age à sombra, à margem da lei”. O advogado avalia ainda que a revelação pode influenciar o caso da ex-deputada Carla Zambelli, cujo processo de extradição já teve desdobramentos na Suprema Corte de Cassação de Roma, e aponta riscos ao tratado de extradição entre Brasil e Itália, em vigor desde 1993.


















