Home / Polícia Federal / Malas com meio milhão e orientações de entrega em espécie: o que as mensagens da amiga de Lulinha revelam nas investigações

Malas com meio milhão e orientações de entrega em espécie: o que as mensagens da amiga de Lulinha revelam nas investigações

PF analisa diálogos de Roberta Luchsinger com motorista sobre valores em dinheiro vivo guardados e entregues a sócio próximo do filho do petista Lula

Em mensagens recuperadas pela Polícia Federal a partir de aparelhos celulares, a empresária e lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva (conhecido como Lulinha), aparece discutindo com seu motorista particular o controle e a movimentação de quantias em dinheiro vivo guardadas em malas e caixas. Um dos trechos, de março de 2023, registra o funcionário informando a contabilidade do que estava em uma mala: 500 mil de um lado e 90 mil do outro (a moeda não é especificada nas mensagens). Em seguida, Luchsinger orienta a entrega de 193 mil em espécie ao empresário Fernando Bittar.

Segundo a reportagens baseadas no material dos inquéritos, esses diálogos integram o conjunto de evidências analisadas pela PF em investigações que apuram suspeitas de tráfico de influência, organização criminosa e venda de prestígio envolvendo Luchsinger, Lulinha e Bittar.

A PF descreve uma sociedade informal em que o grupo prospectava negócios e acesso a órgãos do governo federal. Em maio do mesmo ano, outra conversa mostra a empresária pedindo um depósito e indicando uma caixa atrás de uma bolsa de grife no armário, onde haveria “bolinhos” de 10 mil cada.

A PF destaca o hábito de armazenar e movimentar grandes volumes em espécie, escondidos entre roupas de grife ou em malas, como elemento que reforça a necessidade de investigação sobre a origem e o destino dos recursos. As mensagens não trazem, isoladamente, uma declaração explícita de “pagamento de propina”, mas são analisadas no contexto mais amplo das suspeitas de intermediação de interesses privados junto à administração pública.

O mesmo material das investigações inclui discussões sobre abertura de empresas e contas no exterior, com menção a Liechtenstein como local onde, segundo a própria lobista em mensagens, seria “impossível prender dinheiro” — informação que ela atribuiu a orientação de seu ex-marido. A PF registra estranheza com o interesse em estruturas no exterior e avalia a possibilidade de tentativa de blindagem de valores de origem questionável.

Roberta Luchsinger, herdeira de família ligada a banco suíço e com passagem por candidatura estadual pelo PT em 2018, ganhou projeção nacional em 2017 ao anunciar intenção de doar cerca de R$ 500 mil (em dinheiro e objetos) a Lula, então com bens bloqueados na Lava Jato. Nos inquéritos atuais, ela é apontada como figura de articulação com acesso a pastas e com movimentações financeiras relevantes, incluindo repasses milionários investigados em outros frentes (como os ligados ao Careca do INSS).

As revelações fazem parte de um conjunto maior de mensagens e documentos que detalham o modus operandi do grupo, segundo a PF. Até o momento, trata-se de investigações em curso; não há condenações definitivas publicadas sobre esses fatos específicos. O caso continua sob acompanhamento da Justiça e da opinião pública.

Fonte: Terra Brasilis

*Imagem da capa gerada por IA

Marcado:

Deixe um Comentário