Agência de imigração americana planeja investir até US$ 20 milhões em dispositivos capazes de aplicar choques de até 380 volts para conter resistências durante operações
O Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE) prepara a aquisição de um equipamento que tem gerado forte reação entre organizações de direitos humanos. Trata-se de luvas capazes de emitir choques elétricos, projetadas para ser usadas por agentes durante abordagens e detenções de imigrantes.
Segundo documentos do Departamento de Segurança Interna (DHS), a agência pretende gastar entre US$ 10 milhões e US$ 20 milhões na compra de milhares desses dispositivos, conhecidos como G.L.O.V.E. (Generated Low Output Voltage Emitter). A entrega está prevista para até março de 2027. As luvas, fabricadas pela empresa Compliant Technologies, funcionam como um par comum de proteção até o momento em que o agente pressiona um botão e ativa o modo elétrico.
O choque só ocorre com contato direto na pele e pode chegar a 380 volts. De acordo com o manual do fabricante, a descarga inibe movimentos musculares coordenados e provoca uma dor aguda e imediata, descrita por especialistas como semelhante à picada de uma abelha. O objetivo declarado é obter a cooperação de pessoas que ofereçam resistência física em poucos segundos, funcionando como ferramenta de desescalada.
O fabricante recomenda limites de uso: no máximo 15 segundos em situações comuns, não mais do que duas luvas ao mesmo tempo em uma pessoa e proibição de aplicação em crianças, gestantes, idosos ou pessoas com deficiências graves. Também alerta que o equipamento não deve ser empregado como forma de punição. A compra ocorre em um momento de forte expansão do ICE, alinhada às políticas de reforço no combate à imigração irregular do governo americano.
Organizações de direitos civis e defensores de imigrantes expressaram preocupação com o risco de uso excessivo de força, especialmente diante de relatos de redução no tempo de treinamento de novos agentes e do aumento do volume de operações. Críticos argumentam que um dispositivo que causa dor intensa, sem deixar marcas visíveis como queimaduras, pode dificultar a fiscalização e a prestação de contas. Autoridades defendem a medida como uma opção de menor potencial letal, intermediária entre o uso de spray de pimenta e armas de fogo, capaz de reduzir confrontos mais graves.
O czar de fronteiras da Casa Branca, Tom Homan, afirmou publicamente que as luvas oferecem aos agentes mais uma alternativa antes de recorrer à força letal. Até o momento, não há data confirmada para o início do uso operacional.
Fonte: Metrópoles
*Imagem da capa gerada por IA


















