Senador protocola representação no Conselho de Ética e cobra o andamento imediato de pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, exigindo a retomada das prerrogativas do Legislativo
O cenário de instabilidade institucional em Brasília ganhou novos contornos de confronto direto após uma movimentação contundente do senador Carlos Viana (PSD-MG). O parlamentar decidiu não se omitir diante do acúmulo de controvérsias envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e disparou duras críticas contra a postura do presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), acusando-o de inércia na condução de pautas cruciais para o país.
Após o esgotamento do prazo estipulado para uma manifestação institucional da presidência da Casa sobre os diversos pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes — cuja pressão se multiplicou após relatórios da Polícia Federal revelarem conexões ligando o magistrado e figuras públicas ao banqueiro Daniel Vorcaro —, Viana formalizou uma representação no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar contra Alcolumbre.
O senador argumenta que a recusa em dar andamento aos processos de responsabilização de ministros da Suprema Corte configura uma submissão inaceitável do Legislativo. Em declarações públicas que ecoaram fortemente nos bastidores do Congresso Nacional, o parlamentar defendeu que o comando do Senado precisa resgatar sua autonomia constitucional e deixar de lado qualquer postura de acanhamento institucional.
“A chave do Senado não pertence ao STF, ao Governo ou a quem ocupa a Presidência. Pertence ao povo brasileiro. Davi não foi buscá-la. Agora, o Senado terá que enfrentar a questão. É hora de pegar a chave de volta”, declarou Viana ao justificar a medida extrema que pede inclusive a apuração da conduta e o exame do afastamento provisório de Alcolumbre da chefia do parlamento.
A ofensiva política ocorre em um momento em que dezenas de requerimentos de impedimento contra magistrados aguardam despacho na mesa diretora. Enquanto a base governista e os líderes partidários tentam calcular os danos políticos das revelações recentes oriundas de apurações da PF e da Procuradoria-Geral da República, o gesto de Carlos Viana joga luz sobre o racha interno no Senado, transformando a presidência da Casa em alvo direto do desgaste gerado pela crise entre os Poderes.
*Imagem da capa gerada por IA


















