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Senador alerta que STF e Lula negociam acordão para segurar Moraes até depois das eleições

Presidente da Corte, Edson Fachin, cumpriu primeira etapa do entendimento ao adiar análise das suspeitas até 22 de setembro; grupo no Supremo e aliados de Lula trabalham para manter correlação de forças intacta

O Palácio do Planalto, políticos alinhados ao petista Lula da Silva e uma corrente de ministros do Supremo Tribunal Federal colocam em prática um entendimento destinado a preservar o ministro Alexandre de Moraes, vice-presidente da Corte, do avanço de investigações relacionadas a suspeitas de relacionamento impróprio e ilegal com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O objetivo central é impedir que a crise em curso altere o equilíbrio de forças dentro da mais alta instância do Judiciário brasileiro. O grupo no STF que reúne Gilmar Mendes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e o próprio Moraes atua para evitar fragilização irreversível do magistrado. Caso o presidente da Corte, Edson Fachin, autorize a abertura formal de investigações contra Moraes, a situação do ministro se tornará muito mais delicada. Existem múltiplos indícios apontando para ilegalidades na relação entre o ministro e Vorcaro.

Confira abaixo manifestação da secretaria do STF sobre mensagem entre Moraes e Vorcaro em marco:

Se for confirmado que Moraes atuou em favor do empresário, pode se configurar crime, o que representa a maior crise institucional já enfrentada pelo Supremo em toda a sua história. Em 6 de março de 2026, a Secretaria de Comunicação do STF divulgou nota em que Moraes negava ter recebido mensagens de Vorcaro e afirmava, por escrito, não ser o destinatário. A eventual comprovação de que a declaração não corresponde à verdade agravaria ainda mais sua posição.

Detalhes das investigações e movimentações recentes

O ministro André Mendonça tornou público, na terça-feira 1º de setembro de 2026, o conteúdo das apurações sobre o Master. Foram identificadas 52 mensagens enviadas por Vorcaro para o celular de Moraes, localizadas no bloco de notas do aparelho do fundador do banco. As respostas de Moraes não constam no material. Na quinta-feira 3 de setembro, Moraes incluiu Mendonça no inquérito das fake news, procedimento aberto há sete anos. Fachin, na sexta-feira 4 de setembro, retirou Mendonça da investigação e determinou que a inclusão ou não do colega seja analisada em momento posterior. No mesmo dia 4 de setembro, Fachin discursou no Planalto e afirmou que haverá resposta “firme” e sem omissão sobre a situação de Moraes.

A presença de um presidente do STF em cerimônia na sede do Executivo é incomum. As palavras, em tese, sinalizavam postura assertiva diante da crise inédita. Na prática, porém, Fachin adiou as decisões até 22 de setembro. Nos processos que envolvem as investigações contra Moraes, os prazos para manifestações se estendem até a sexta-feira 11 de setembro para o próprio Moraes, para Mendonça, para o procurador-geral da República Paulo Gonet e para o diretor-geral da Polícia Federal Andrei Rodrigues. A decisão só poderá ocorrer após 14 de setembro.

Já no caso da inclusão de Mendonça no inquérito das fake news, a Procuradoria-Geral da República tem cinco dias úteis para se manifestar a partir de 4 de setembro. Mendonça terá outros cinco dias após a posição da PGR. Com isso, a decisão fica para depois de 22 de setembro de 2026.

A tendência é que o plenário do STF, se houver sessão conjunta e pública, examine os dois casos juntos somente após essa data. Faltarão então 12 dias para o primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. Um argumento provável a ser apresentado é que a análise só poderá ocorrer depois do primeiro turno ou mesmo após o segundo turno, em 25 de outubro.

Divisões internas no Supremo

Fachin tem demonstrado alinhamento com os interesses do grupo que inclui Moraes. Do outro lado posicionam-se Mendonça, Nunes Marques e Luiz Fux. Cármen Lúcia circula entre as duas correntes e pode decidir o desfecho. Dias Toffoli se declarou impedido de votar no caso Master em 11 de março de 2026.

No discurso no Planalto, Fachin fez menção pró-forma à “urgência” de encerrar o inquérito das fake news. O procedimento, sob relatoria de Moraes, permanece inconclusivo desde 2019. A preparação do acordo para poupar Moraes fica evidenciada pela postagem de Flávio Dino no Instagram neste domingo 6 de setembro. O ministro defendeu decisões monocráticas do STF e questionou quem define o que constitui “tramitação longa”: se opiniões pessoais ou critérios legais e regimentais.

Dois cenários eleitorais e suas consequências

O grupo que negocia a postergação da decisão sobre Moraes trabalha com o cenário mais provável de vitória de Lula na eleição. Nesse caso, o presidente poderia indicar quatro ministros do STF em um eventual quarto mandato. A partir da reeleição, haveria movimento forte para retirar Mendonça da relatoria dos casos do Master e do INSS. Neste último, estão incluídas suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do petista Lula, sobre tráfico de influência.

Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram que a lobista Roberta Luchsinger pressionou o filho de Lula a intervir em favor de negócios de interesse de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, junto ao Ministério da Saúde. A pressão teria ocorrido antes de Fábio Luís se mudar para a Espanha, em 2025. Ele vive em Madri, em condomínio de alto padrão, com estilo de vida acessível a apenas 0,8% dos espanhóis.

O fortalecimento do grupo hegemônico no Supremo poderia levar a ações que resultem na saída de Mendonça da Corte. Se isso ocorrer, Lula poderia indicar cinco ministros no próximo mandato. O cenário alternativo é a vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Nessa hipótese, torna-se muito difícil impedir que o STF autorize investigações sobre a conduta de Moraes no caso Master.

O grupo político de Lula planeja apresentar um conjunto de suspeitas de ilegalidades contra Flávio Bolsonaro quando faltarem pelo menos 20 dias para o primeiro turno. Pela Lei 9.504 de 1997, a substituição de candidatos em caso de desistência deve ser requerida até 20 dias antes do pleito, salvo morte.

Parte das suspeitas a serem divulgadas envolve indícios de que doações de Vorcaro ao filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, teriam sido, na realidade, direcionadas a integrantes da família Bolsonaro. Esses indícios constam de delação do empresário Antonio Carlos Freixo Júnior. A proposta de delação premiada foi recebida pelo procurador-geral Paulo Gonet, que, por sua vez, está citado em mensagens de Daniel Vorcaro. Gonet mantém proximidade com Gilmar Mendes, integrante do grupo que defende Moraes e se opõe a Mendonça. 

Fonte: PODER360

*Imagem da capa gerada por IA

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