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Repasses do Master para filho de Nunes Marques coincidem com decisões favoráveis do ministro no STF

Nova fase da investigação da Polícia Federal aponta que transferências milionárias para empresa ligada ao herdeiro do magistrado ocorreram no mesmo período em que pautas de interesse da instituição financeira obtiveram vitórias na Suprema Corte

Novas apurações publicadas pela revista piauí jogam luz sobre uma série de evidências extraídas de investigações da Polícia Federal que aproximam o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O material reúne mensagens de texto, registros financeiros e certidões que expõem os bastidores de negociações e julgamentos de impacto multibilionário na Corte. 

O ponto nevrálgico da apuração reside em um julgamento de grande relevância econômica na Segunda Turma do STF envolvendo a disputa sobre a Destilaria Alcídia. O desfecho da lide possuía efeitos diretos sobre uma carteira de precatórios superior a R$ 10 bilhões vinculada ao balanço do Banco Master. 

O voto que mudou o placar e a comemoração nos chats

De acordo com os registros periciais detalhados pela reportagem, a tramitação do caso passou por reviravoltas procedimentais marcantes. Inicialmente, em sessão virtual realizada entre 9 e 20 de fevereiro de 2024, o sistema do STF registrou formalmente o impedimento do ministro Nunes Marques, que absteve-se de votar. 

Contudo, no mês seguinte, o magistrado emitiu um despacho afirmando que o impedimento havia sido lançado por “equívoco da assessoria”, declarando-se apto a participar da análise. Com o placar empatado em 2 a 2, o voto de Nunes Marques, depositado em 1º de outubro, inclinou a balança e fechou o placar em 3 a 2 a favor da tese defendida pelos interesses ligados a Vorcaro. 

Imediatamente após a conclusão do movimento na Corte, mensagens capturadas no celular do banqueiro mostram seus assessores e advogados celebrando o resultado. Em um dos diálogos de destaque, a expressão “Dominado aqui” foi utilizada para comemorar o desfecho favorável obtido no colegiado.

Repasses financeiros e conexões corporativas

A cronologia levantada pelos investigadores aponta também para movimentações financeiras direcionadas a empresas e pessoas ligadas ao círculo familiar do ministro. Meses após a reviravolta no caso judicial, a empresa Consult Inteligência Tributária passou por alterações societárias expressivas e viu seu capital social saltar de R$ 10 mil para R$ 500 mil, sem que fossem detalhadas as origens de boa parte dos aportes. 

Registros e relatórios periciais apontam que repasses provenientes desse ecossistema empresarial alcançaram o advogado Kevin Marques, filho do ministro. Diálogos resgatados de conversas entre executivos do banco e o próprio Vorcaro citavam tratativas de repasses mensais de R$ 500 mil, coordenados por diretores jurídicos da instituição financeira. 

Por sua vez, o advogado Kevin Marques e a defesa da família têm rechaçado veementemente as acusações. Por meio de manifestações formais, sustentam que os valores recebidos correspondem estritamente a honorários por serviços jurídicos especializados prestados à consultoria, negando qualquer prestação de serviços ou recebimento de recursos originados diretamente do Banco Master, além de enfatizar que sua atuação profissional não guarda qualquer relação com processos em trâmite no STF. 

Mordomias, viagens e o posicionamento oficial

Além das pautas estritamente processuais, as investigações trouxeram à tona tratativas de mordomias e viagens de luxo associadas ao círculo de relações. Constam nos autos registros sobre a reserva de uma mansão avaliada em R$ 250 milhões no Rio de Janeiro para o período de Carnaval, além de tratativas para a organização de roteiros turísticos internacionais na Europa e o uso de aeronaves executivas.

Questionado sobre as revelações, o ministro Kassio Nunes Marques tem negado reiteradamente qualquer irregularidade. Da tribuna do próprio STF e por meio de notas oficiais emitidas por sua assessoria, o magistrado tem sustentado que nunca atuou em relatorias ou julgamentos direcionados a favorecer o Banco Master, reafirmando a retidão de sua conduta jurisdicional frente às instâncias da Suprema Corte. 

Fonte: Revista Piauí

*Imagem da capa gerada por IA

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