Novas análises de mensagens conduzidas pela corporação colocam sob escrutínio contratos milionários de empresa petroquímica e revelam como o acesso aos corredores do Palácio do Planalto passou a ser tratado como mercadoria de barganha nos bastidores do governo
A Polícia Federal (PF) aprofundou as investigações sobre um esquema de suposto tráfico de influência que conecta Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha (filho do pretista Lula da Silva), a empresária e lobista Roberta Luchsinger e figuras ligadas à articulação política do governo, entre elas o personagem identificado nas apurações como Marcola. O epicentro da análise recai sobre tratativas e contratos milionários firmados com a Petrobras.




O Rastro do Dinheiro e os Negócios com a Petrobras
Conforme os elementos levantados nas mensagens periciadas pela corporação policial, as atenções estão voltadas para transações e acordos que giram em torno de montantes expressivos — incluindo cifras na casa de R$ 1,2 milhão —, associados à atuação de intermediários junto a empresas que tentavam superar crises financeiras e reestruturar acordos comerciais com a estatal petrolífera.
Os investigadores analisam como o trânsito livre por gabinetes estratégicos do poder público federal era instrumentalizado para destravar pendências contratuais, forçar reuniões de alto nível e garantir vantagens corporativas. Nas conversas recuperadas dos dispositivos apreendidos, interlocutores detalham pressões por assinaturas de contratos, cobranças financeiras pelo suposto esforço de facilitação e comemorações por decisões tomadas dentro da esfera governamental.
Acesso ao Planalto Transformado em Moeda de Troca
O material probatório reunido pela Polícia Federal expõe uma dinâmica em que o canal direto com o Palácio do Planalto e com a alta cúpula administrativa passou a funcionar como uma espécie de mercadoria negociada. Registros de conversas mostram cobranças explícitas de prazos para reuniões de assinatura, relatos de tensão entre os envolvidos e tentativas de capitalização política por diferentes correntes dentro da base governista.
Posicionamento das Partes
Diante da repercussão das apurações, as empresas citadas e os alvos das diligências têm se manifestado por meio de notas oficiais. A Unigel, companhia petroquímica frequentemente mencionada nos desdobramentos contratuais, negou veementemente a existência de qualquer relação contratual, vínculo institucional ou pagamento de remuneração a Roberta Luchsinger, reforçando que suas negociações com a Petrobras seguiram estritamente os parâmetros de governança corporativa e os ritos de tribunais arbitrais.
A defesa de Roberta Luchsinger e os demais citados mantêm-se acompanhando o andamento das diligências sob sigilo, enquanto a Polícia Federal prossegue com a análise pericial do material apreendido para individualizar condutas e definir os próximos passos do inquérito.
Fonte: O GLOBO


















