Magistrada recusa apelo de Edson Fachin para assumir relatoria de trechos da investigação, transferindo a responsabilidade de decisão sobre o destino das menções aos magistrados para o comando da Corte
A crise institucional gerada pela revelação de diálogos e menções a autoridades nos dispositivos apreendidos do empresário e ex-banqueiro Daniel Vorcaro ganhou novos contornos nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, tentou convencer a ministra Cármen Lúcia a assumir a relatoria dos trechos do inquérito que citam diretamente integrantes do próprio tribunal, mas obteve uma recusa categórica.

De acordo com informações de bastidores publicadas pela imprensa, ao receber o pedido para absorver a condução dos procedimentos, Cármen Lúcia respondeu de imediato com um enfático: “Deus me livre!”
A movimentação no gabinete de Fachin e a resistência interna
Diante da repercussão e da sensibilidade de ter ministros da mais alta Corte do país citados em apurações ligadas ao ex-dono do Banco Master — o que inclui referências a nomes como Alexandre de Moraes, Kassio Nunes Marques, Dias Toffoli e Luiz Fux —, Edson Fachin havia avocado para seu próprio gabinete a fração do material investigativo que recai sobre seus pares.
Tentando blindar a presidência de um desgaste direto na condução de casos que afetam o colegiado, Fachin buscou repassar a incumbência a Cármen Lúcia. Com a recusa definitiva da ministra — que nos últimos dias também buscou demonstrar solidariedade pessoal ao ministro Alexandre de Moraes após a exposição pública de sua interação com Vorcaro —, o cenário interno encontrou um impasse. Como a disposição geral entre os demais magistrados segue no sentido de evitar o acúmulo dessa responsabilidade, caberá exclusivamente a Fachin definir o destino processual das menções aos colegas de corte.
Alternativas e articulação com o TSE
Sem margem para delegar o inquérito internamente no plenário do STF sem encontrar forte resistência, o presidente da Corte buscou saídas institucionais alternativas.
Avaliando que parte das discussões e desdobramentos de interesse central cruza a órbita da justiça especializada, Fachin articulou diretamente com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Kassio Nunes Marques. O objetivo do entendimento costurado entre os gabinetes é fazer com que o TSE examine pontos nevrálgicos do caso no âmbito de sua competência, mitigando o risco de um embate corporativo de grandes proporções diretamente no plenário do Supremo.
Fonte: Metrópoles
*Imagem da capa editada por IA


















