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TSE veta a atuação de fórum ligado ao Vox e de outras 14 entidades como observadoras do pleito

Tribunal Superior Eleitoral indefere credenciamento de organizações nacionais e internacionais para acompanhar as eleições de 2026, apontando incompatibilidade com os critérios e normas de fiscalização

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indeferiu os pedidos apresentados pelo Foro Madrid e pela Alternativa Democrática Nacional (ADN) para atuar como observadores internacionais nas eleições brasileiras. O Foro Madrid é uma organização anticomunista associada ao partido espanhol Vox, enquanto a ADN é um partido ultranacionalista português. Ambas integram um conjunto de 15 entidades cujas solicitações foram rejeitadas pela Corte.

A relação de pedidos negados abrange ainda a Transparencia Electoral, com sede na Argentina, e a Eurolat Global Democracy Forum. Esta última conta, entre seus integrantes, com um brasileiro que exerce mandato de vereador em cidade do estado americano do Texas e que defendeu publicamente o tarifaço aplicado por Donald Trump a produtos brasileiros.

O ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo, que ocupou a chefia do Itamaraty durante os primeiros 15 meses do governo de Jair Bolsonaro (PL), foi contratado em 2024 como assessor internacional do Foro Madrid. A organização funciona como braço da Fundação Dissenso, vinculada ao partido de direita Vox. Seu manifesto de criação, de 2020, tem como signatários figuras relevantes da direita internacional e destacava o “avanço do comunismo” como “séria ameaça para a prosperidade e o desenvolvimento de nossas nações”.

Entre os signatários do documento constam o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), atualmente autoexilado nos Estados Unidos; a líder oposicionista venezuelana María Corina Machado; o presidente eleito do Chile, José Antonio Kast; e Santiago Abascal, líder do Vox.As decisões do TSE se fundamentam na Resolução nº 23.678, de 2021. O normativo estabelece que a participação de missões estrangeiras em processos eleitorais brasileiros depende da celebração prévia de acordo com o tribunal.

Somente entidades que disponham de experiência, estrutura e capacidade técnica adequadas para o trabalho de observação são habilitadas. Os critérios analisados pelo TSE incluem: a quantidade de observações nacionais ou internacionais já realizadas; a demonstração de que o objeto social ou a finalidade institucional da organização compreende o estudo ou a proteção da democracia e de processos ou sistemas eleitorais; a existência de condições técnicas e de equipe suficiente para executar a observação eleitoral; e o reconhecimento da experiência e do prestígio de seus dirigentes e/ou membros.

O partido ADN, fundado em Portugal em 2014, defende, entre outras bandeiras, a “deportação imediata” de imigrantes ilegais, o combate à “fraude climática”, a “proibição absoluta da propaganda LGBT+ no sistema nacional de ensino” e a vedação de abortos “sem ser por motivos clínicos ou de saúde”.A lista completa das 15 entidades cujos pedidos foram barrados pelo TSE é a seguinte:

  • Alternativa Democrática Nacional 
  • Brazilian Studies Association 
  • Centro para Observação e Fortalecimento Eleitoral da América Latina e Caribe 
  • Conferência Permanente de Partidos Políticos da América Latina e do Caribe 
  • Defensoría del Pueblo de la Ciudad de Buenos Aires 
  • Eurolat Global Democracy Forum 
  • Global Network of Political Leaders 
  • International Association of Political and Electoral Experts 
  • Observatorio Electoral de la Universidad Nacional de la Plata 
  • SNAS África 
  • Transparencia Electoral 
  • World Peace Volunteers 
  • Worldwide Elections 
  • Foro Madrid 
  • Parlamento Internacional de Direitos Humanos

No exame do pedido da Eurolat, o TSE constatou que a entidade tem como chefe de missões eleitorais Ahmed Abeeb, ex-vice-presidente das Maldivas, condenado a 20 anos de prisão por corrupção em seu país de origem.

Outro integrante do grupo é o brasileiro Maurício Galante, vereador pelo Partido Republicano na cidade de Arlington, no Texas.

Em 2025, logo após a imposição do tarifaço por Donald Trump contra produtos brasileiros e da aplicação da Lei Magnitsky ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, Galante sugeriu a adoção de sanções econômicas direcionadas a grandes empresas brasileiras com atuação nos dois países. Sem citar nomes específicos, ele afirmou que essas companhias “lucram no mercado americano, mas sustentam o regime socialista no Brasil, através de doações, influência política e vantagens comerciais desleais”.

Nas redes sociais, Galante fez um apelo direto a Trump: “Mire nas empresas que alimentam a tirania e ainda lucram nos EUA. Restrinja suas operações e bloqueie seus acessos. Essa pode ser a chave para resolver uma crise internacional com menos sofrimento”.

Fonte: CNN BRASIL

*Imagem da capa editada por IA

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