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Campanha de Flávio envia recado aos ministros do STF

Em declarações recentes, o comando da campanha do PL detalha como pretende gerir a relação institucional com a Suprema Corte em eventual vitória, pautando a postura pelo respeito à Constituição, mas mantendo firmeza incontornável em pautas como o impeachment no Legislativo

A corrida sucessória ao Palácio do Planalto traz à tona os bastidores das negociações e das diretrizes estratégicas que o grupo político do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) planeja adotar em relação aos poderes da República. Na qualidade de coordenador da campanha presidencial do parlamentar liberal, o senador Rogério Marinho (PL-RN) detalhou os termos do recado enviado de forma direta aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com a articulação desenhada pelo QG da campanha, a futura relação institucional com a Suprema Corte será pautada estritamente pela legalidade e pelo equilíbrio, afastando qualquer pretensão de perseguição generalizada, ao mesmo tempo em que traça linhas claras de responsabilização e limites de atuação para os magistrados. 

O Recado ao Decano e a Defesa da Carta Magna

Como parte dos movimentos de aproximação e transparência institucional, Rogério Marinho revelou ter mantido um encontro direto com o decano do STF, o ministro Gilmar Mendes. Na ocasião, a mensagem transmitida em nome da campanha de Flávio Bolsonaro foi direta:

“Não queremos vingança. Queremos que a Constituição seja respeitada”. 

O coordenador político enfatizou que a postura pretendida para o Palácio do Planalto não carrega qualquer animosidade contra a instituição do Supremo Tribunal Federal, ressaltando que o entendimento do grupo é de que a Corte desempenha um papel fundamental para o país, desde que respeitadas as esferas constitucionais de cada Poder. “Pelo contrário. Ninguém pode estar acima da lei”, pontuou Marinho, acrescentando que eventuais desvios ou crimes de responsabilidade cometidos por integrantes da cúpula do Judiciário devem ser examinados de maneira regimental pelo Senado Federal. 

A Questão de Alexandre de Moraes e o Impeachment

Apesar da busca por uma convivência institucional previsível e sem revanchismos automáticos contra todos os membros da Corte, a campanha de Flávio Bolsonaro mantém uma posição inegociável e cirúrgica em relação a pontos específicos de desgaste recente, com destaque para a figura do ministro Alexandre de Moraes.

O entorno do candidato liberal aponta como problemáticas a condução de procedimentos como o Inquérito das Fake News e episódios de atrito político interno no tribunal — a exemplo das reações públicas de Moraes a relatorias de outros ministros em investigações de repercussão. No que tange à pauta do impeachment de ministros do STF, a avaliação interna é tratada com realismo político: a medida é considerada inegociável, porém dependente de uma mudança expressa na correlação de forças do Poder Legislativo.

Pelos cálculos apresentados pelo comando da campanha com base na configuração atual do Parlamento, o grupo oposicionista reúne no máximo 31 votos entre os 81 senadores, ao passo que o rito constitucional de condenação em um processo de impeachment exige um quórum qualificado de 54 votos. Por essa razão, a estratégia de enfrentamento e reestruturação institucional passa fundamentalmente pelo resultado das urnas na renovação do Congresso Nacional. 

Limites de Competência e o Futuro do Judiciário

A plataforma defendida pela campanha de Flávio Bolsonaro também toca na ampliação do escopo de atuação do STF nos últimos anos, criticando o fato de a Corte ter passado a deliberar sobre temas de natureza difusa que, na visão do grupo, competem aos legisladores — desde discussões sobre o marco temporal até dinâmicas cotidianas.

Com essa diretriz, a campanha consolida um discurso que mescla pragmatismo político e firmeza jurídica: propõe um pacto de respeito mútuo aos freios e contrapesos da República, preservando a estabilidade institucional, mas sem abrir mão do debate sobre a contenção de prerrogativas e a fiscalização rigorosa de eventuais excessos de autoridades públicas.

Fonte: CBN

*Imagem da capa editada por IA

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