Analista destaca que ações recentes de setores das cortes favorecem o petista Lula em meio a desafios nas pesquisas eleitorais
A ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Estela Aranha determinou que a TV Globo não poderia exibir uma cadeira vazia no espaço destinado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o debate presidencial previsto para esta quinta-feira (1º). A medida provocou forte repercussão e foi classificada pelo analista de Política da CNN Caio Junqueira como mais um indício do alinhamento de determinadas alas do Supremo Tribunal Federal (STF) e do TSE em apoio à reeleição de Lula.
“Essa reta final da campanha presidencial escancarou o apoio dessas alas dentro do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral a favor, principalmente, da reeleição do presidente Lula”, afirmou Junqueira.
A regra histórica da cadeira vazia e a intervenção do TSE
De acordo com o analista, a prática de manter a cadeira vazia para candidatos ausentes constitui uma regra tradicional nos debates eleitorais. O item 7 da ata assinada pelos partidos envolvidos no encontro, inclusive o próprio Partido dos Trabalhadores (PT), previa expressamente que, “se algum candidato convidado faltar ao debate, o seu lugar permanecerá vazio, com a placa que o identifique pelo nome”.
Mesmo tendo subscrito o documento, o PT recorreu ao TSE solicitando a suspensão dessa disposição. Estela Aranha, caracterizada como muito próxima do ministro Flávio Dino — com quem já atuou no Ministério da Justiça —, acolheu o pedido e autorizou a suspensão da norma.
Gilmar Mendes e a inclusão de Renan Santos
Outro episódio ressaltado envolveu a decisão do ministro Gilmar Mendes que autorizou a participação do candidato Renan Santos, do partido Missão, no mesmo debate. A determinação atendeu a um pedido formulado pelo deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP). A medida contrariou tanto uma decisão anterior proferida pela ministra Cármen Lúcia — que havia recebido o recurso por sorteio e se posicionado pela manhã — quanto uma deliberação já tomada pelo próprio TSE.
“O ministro Gilmar Mendes acata um pedido do deputado Paulinho da Força e autoriza a ida do candidato Renan Santos ao debate, atropelando uma decisão tanto da sua colega na corte, Carmen Lúcia, quanto do próprio Tribunal Superior Eleitoral”, declarou o analista.
Poucas horas depois dessas decisões, a TV Globo anunciou o cancelamento do último debate presidencial antes do primeiro turno.
Padrão de medidas favoráveis à campanha de reeleição
Para o analista, os acontecimentos do dia não representam casos isolados. Caio Junqueira mencionou ainda a validação do reajuste do Bolsa Família e a suspensão, determinada por Flávio Dino, de uma decisão do TSE relativa à chamada “fake news da Padroeira” como exemplos adicionais de decisões recentes que favoreceriam a campanha de reeleição de Lula.“
Isso mostra uma atuação intensa desse grupo do Supremo”, afirmou.
A intensidade dessas ações estaria vinculada às dificuldades identificadas pelas pesquisas para a reeleição do petista Lula. O analista concluiu que o grupo formado por Flávio Dino, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes teria colocado na vitória de Lula a sua “sobrevivência política”, uma vez que uma eventual vitória da oposição poderia resultar no impeachment de pelo menos um ministro do STF.
Fonte: CNN BRASIL
*Imagem da capa editada por IA

















