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Ministério Público aponta diálogos entre Renato Cariani e Policial para frear investigação antiga

Trechos de celular obtidos pelo Gaeco detalham troca de informações sigilosas, alinhamento de depoimentos e articulações que resultaram em arquivamento prévio de inquérito

No âmbito das alegações finais do processo que tramita na Justiça de São Paulo, o Ministério Público do Estado (MP-SP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), trouxe a público novas evidências extraídas dos dispositivos eletrônicos do influenciador e empresário Renato Cariani. De acordo com os promotores, o material comprova uma relação estreita com um policial civil e aponta tentativas sistemáticas de monitorar e desacelerar apurações anteriores. 

As conversas recuperadas fazem parte do escopo probatório reunido pelo órgão ministerial na ação penal que investiga suposto desvio de insumos químicos para o narcotráfico. Para os investigadores, os registros desmontam a tese de desconhecimento das irregularidades corporativas e escancaram o esforço de interferir no andamento de diligências policiais. 

Cronologia das Conversas e Informações Sigilosas

Os relatórios apresentados pelo Gaeco detalham interações ocorridas entre 2021 e 2023, período em que investigações preliminares da Polícia Civil tramitavam na Grande São Paulo: 

  • Oitiva e Alinhamento (2021): Em registros datados do final de 2021, o policial civil tratado nos autos aponta orientações sobre o depoimento de Cariani, sugerindo flexibilidade em datas e horários para acomodar a agenda do empresário.
  • Controle de Insumos (2019–2022): Em trechos destacados pela acusação, datados de abril de 2019, o próprio Cariani teria respondido a questionamentos sobre substâncias químicas controladas, admitindo abertamente que o material era aplicado para “aumentar o rendimento da cocaína”, segundo apontam os promotores.
  • Indução ao Arquivamento (2022): Registros de setembro de 2022 mostram o policial informando que relatórios de campo estariam sendo redigidos de maneira a “induzir o delegado a não fazer mais nada” diante da dificuldade de rastrear placas de veículos envolvidos na retirada dos produtos.
  • Comemoração do Encerramento (2023): Em 2023, após a obtenção de números de inquéritos policiais para assegurar o arquivamento de procedimentos, as mensagens mostram tom de comemoração entre os interlocutores, com direito a convites informais para “tomar uma” após a confirmação do fechamento do caso.

Pontos-Chave do Relatório do Gaeco: 

  • Acesso a Dados Reservados: O influenciador recebia detalhes internos sobre o andamento e a tramitação de inquéritos antes das manifestações oficiais.
  • Orientação de Relatórios: O conteúdo aponta que o agente policial atuava para moldar os despachos de modo a esvaziar o escopo das diligências.
  • Ciência Explícita: Para a promotoria, o teor dos diálogos afasta a hipótese de que os sócios da empresa fossem alheios às finalidades ilícitas das transações.

Posicionamento da Defesa e Próximos Passos Judiciais

O Ministério Público solicitou a condenação de Renato Cariani, além de outros réus envolvidos na ação, com penas que podem acumular décadas de reclusão, dependendo do entendimento do magistrado sobre as acusações de tráfico de insumos, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Em contrapartida, o órgão ministerial pediu a absolvição de outros dois nomes citados inicialmente na denúncia por insuficiência de provas materiais. 

A defesa de Renato Cariani manifestou-se por meio de nota oficial e declarações públicas reiterando que recebe a movimentação do Ministério Público com naturalidade, apontando que o parecer representa apenas a conclusão da tese acusatória defendida desde o início do processo. Os advogados reforçam a confiança na absolvição perante o Poder Judiciário, sustentando que as alegações finais defensivas detalharão a improcedência das imputações. 

Fonte: G1

*Imagem da capa editada por IA

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