Bradesco, Itaú e Santander repassam pressão dos juros futuros e elevam encargos para compra de imóveis; Caixa mantém silêncio pré-balanço
Em um movimento coordenado na última semana de outubro, os três maiores bancos privados atuantes no mercado nacional — Bradesco, Itaú Unibanco e Santander — promoveram reajustes para cima em suas taxas de juros voltadas ao financiamento imobiliário. As instituições financeiras justificaram os aumentos apontando a forte oscilação dos juros futuros no mercado financeiro, pressionada pela incerteza fiscal e pelo cenário macroeconômico.

O reajuste entrou em vigor de forma escalonada entre os bancos: começou no Bradesco na segunda-feira (26), seguiu para o Itaú na quinta-feira (29) e passou a valer nas operações do Santander nesta sexta-feira (30). Juntas, as três instituições responderam por cerca de 55% do volume total de crédito concedido para aquisição de imóveis no Brasil entre janeiro e setembro deste ano, segundo levantamento da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).
Por sua vez, a Caixa Econômica Federal — líder disparada do setor imobiliário no país — não informou se reajustará suas tabelas. Questionado, o banco estatal explicou que está em período de silêncio obrigatório que antecede a divulgação do seu balanço financeiro e, por esse motivo regimental, não emitirá posicionamento sobre suas taxas.
O Impacto das Taxas por Instituição Financeira
Os novos percentuais praticados afetam diretamente o custo final do crédito e o valor das prestações para novos contratantes:
- Bradesco: De acordo com informe enviado a parceiros do setor imobiliário, a taxa principal de financiamento saltou de 11,99% ao ano + TR para 15% ao ano + TR. Para o segmento de clientes Private, o encargo subiu de 11,70% ao ano + TR para 13,60% ao ano + TR.
- Itaú Unibanco: O banco fixou sua taxa mínima em 12,95% ao ano + TR a partir do dia 29. Em comunicados internos, a instituição detalhou que as condições variam pelo perfil de relacionamento: no segmento Private, os juros partem de 12,89% ao ano + TR, enquanto para não correntistas o custo pode atingir 14,85% ao ano + TR.
- Santander: As operações ajustadas passaram a vigorar no dia 30, com o banco acompanhando a recomposição de custos das captações de mercado.
Resumo dos Fatores do Reajuste:
- Pressão dos Juros Futuros: A taxa dos títulos públicos de cinco anos subiu de 12,87% para 15,39% após o período eleitoral — uma escalada de mais de 2,5 pontos percentuais que eleva o custo de captação de recursos pelos bancos.
- Peso no Custo Final: Especialistas apontam que reajustes superiores a 3% ao ano na taxa nominal encarecem significativamente as parcelas, exigindo maior comprovação de renda e reduzindo o poder de compra da classe média.
- Orientação ao Consumidor: A orientação de consultores financeiros é comparar simulações entre diferentes instituições e atentar para o Custo Efetivo Total (CET), que inclui taxas administrativas e seguros obrigatórios.
Custo das Captações e Recomendação aos Compradores
A oscilação das taxas de financiamento reflete a dinâmica dos juros de longo prazo. Como as carteiras imobiliárias dependem de fontes de captação atreladas ao mercado financeiro, a elevação das projeções de risco e da curva futura de juros força os bancos a ajustarem o preço do crédito concedido.
A orientação principal para quem pretende contratar um financiamento no momento é realizar cotações detalhadas em múltiplos bancos e avaliar a composição do contrato, observando se há exigência de pacotes de serviços extras para obtenção das taxas mínimas.
Fonte: G1
*Imagem da capa editada por AI

















