Em declarações ao veículo norte-americano e em discurso no evento conservador CPAC, o senador critocou o judiciário brasileiro, refuta apoiadores externos na sua saída do país e afirma manter disposição para disputar a presidência
Em uma sequência de manifestações internacionais que repercutiram fortemente na cena política, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) concedeu uma entrevista exclusiva ao jornal norte-americano The New York Times e discursou perante lideranças conservadoras durante a edição da Conservative Political Action Conference (CPAC) realizada na Flórida. Nas declarações, o parlamentar subiu o tom contra o sistema de Justiça do Brasil, defendeu a lisura de suas ações ao deixar o território nacional e sinalizou os rumos de sua atuação política enquanto permanece nos Estados Unidos sob autorização humanitária (humanitarian parole).
Flávio Bolsonaro afirmou ao The New York Times que dois fiscais do PL foram retirados da sala-cofre do TSE por cerca de 40 minutos no dia da eleição, assista:
Flávio Bolsonaro: A Justiça brasileira vive a serviço de um único homem e de sua vingança pessoal. Isso não é Justiça! Isso não é democracia!, assista:
Flávio Bolsonaro: Eu vi a dor da injustiça nos olhos do meu pai e não desejo isso para ninguém, assista:
Flávio Bolsonaro questiona o crescimento da votação de Lula no segundo turno e cita Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina, “Matematicamente, isso não fecha.”, assista:
As falas do senador articulam uma dura denúncia contra o aparelhamento das instituições brasileiras, ao mesmo tempo em que tenta reorganizar a oposição a partir do exterior após o pleito presidencial.
Ataque Frontal ao Judiciário e Discurso de Perseguição
Durante a sua participação nos eventos nos EUA e em trechos da entrevista ao The New York Times, Flávio Bolsonaro enfatizou a tese de que a atuação das instâncias superiores de Justiça no Brasil responde a interesses pessoais e persecutórios. Em um dos momentos de maior contundência durante as agendas com a imprensa e militantes conservadores, o senador declarou:
“A Justiça brasileira vive a serviço de um único homem e de sua vingança pessoal. Isso não é Justiça! Isso não é democracia!”
Segundo o parlamentar, sua ida para os Estados Unidos não configura fuga, mas sim uma reação necessária diante de medidas cautelares e ordens judiciais que, na sua avaliação, extrapolam os limites constitucionais para atingir a ele e a seus familiares.
O Detalhamento da Saída do Brasil: “Levarei para o Túmulo”
Um dos pontos mais escrutinados pela reportagem do jornal norte-americano diz respeito à logística utilizada pelo senador para deixar o solo brasileiro. Diante de especulações de que teria recebido suporte direto de assessores internacionais ou órgãos governamentais estrangeiros, Flávio Bolsonaro negou veementemente qualquer ajuda externa.
- Autonomia da Operação: Flávio afirmou que o planejamento e a execução de sua viagem foram estritamente individuais. “Fui eu. Não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo. Como cheguei aqui, vou levar isso para o túmulo”, declarou ao NYT.
- Conversa com Jair Bolsonaro: O senador relatou que tomou a decisão definitiva após um encontro presencial com seu pai, o presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília. De acordo com o relato, o presidente bolsonaro teria demonstrado preocupação com o avanço de eventuais ordens de prisão contra os filhos.
- Círculo Restrito de Informados: Flávio garantiu ao jornal que nem mesmo o pai sabia do plano de saída. Apenas sua esposa, Fernanda Bolsonaro, e suas filhas tinham conhecimento do deslocamento rumo ao exterior.
Permanência nos EUA e Reorganização Política
Atualmente estabelecido na Flórida, onde participou do jantar de gala da CPAC no complexo de Mar-a-Lago, o senador possui uma autorização temporária de permanência humanitária outorgada até outubro de 2027. Embora o cenário político nos Estados Unidos tenha sofrido alterações com as eleições americanas, a base aliada do parlamentar defende a manutenção de sua rotina no país como ponto de resistência.
Ao ser questionado sobre suas pretensões eleitorais futuras, o senador reafirmou o desejo de continuar liderando a oposição. Contemplando os desdobramentos do cenário nacional, declarou ao The New York Times que, se o quadro institucional brasileiro resultar em novas eleições no futuro, ele colocará novamente seu nome como candidato à chefia do Executivo.


















