Em declarações ao veículo norte-americano e em discurso no evento conservador CPAC, o senador critocou o judiciário brasileiro, refuta apoiadores externos na sua saída do país e afirma manter disposição para disputar a presidência
Em uma sequência de manifestações internacionais que repercutiram fortemente na cena política, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) concedeu uma entrevista exclusiva ao jornal norte-americano The New York Times e discursou perante lideranças conservadoras durante a edição da Conservative Political Action Conference (CPAC) realizada na Flórida. Nas declarações, o parlamentar subiu o tom contra o sistema de Justiça do Brasil, defendeu a lisura de suas ações ao deixar o território nacional e sinalizou os rumos de sua atuação política enquanto permanece nos Estados Unidos sob autorização humanitária (humanitarian parole).
Flávio Bolsonaro: A Justiça brasileira vive a serviço de um único homem e de sua vingança pessoal. Isso não é Justiça! Isso não é democracia!, assista:
Flávio Bolsonaro: Eu vi a dor da injustiça nos olhos do meu pai e não desejo isso para ninguém, assista:
Flávio Bolsonaro questiona o crescimento da votação de Lula no segundo turno e cita Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina, “Matematicamente, isso não fecha.”, assista:
As falas do senador articulam uma dura denúncia contra o aparelhamento das instituições brasileiras, ao mesmo tempo em que tenta reorganizar a oposição a partir do exterior após o pleito presidencial.
Ataque Frontal ao Judiciário e Discurso de Perseguição
Durante a sua participação nos eventos nos EUA e em trechos da entrevista ao The New York Times, Flávio Bolsonaro enfatizou a tese de que a atuação das instâncias superiores de Justiça no Brasil responde a interesses pessoais e persecutórios. Em um dos momentos de maior contundência durante as agendas com a imprensa e militantes conservadores, o senador declarou:
“A Justiça brasileira vive a serviço de um único homem e de sua vingança pessoal. Isso não é Justiça! Isso não é democracia!”
Segundo o parlamentar, sua ida para os Estados Unidos não configura fuga, mas sim uma reação necessária diante de medidas cautelares e ordens judiciais que, na sua avaliação, extrapolam os limites constitucionais para atingir a ele e a seus familiares.
O Detalhamento da Saída do Brasil: “Levarei para o Túmulo”
Um dos pontos mais escrutinados pela reportagem do jornal norte-americano diz respeito à logística utilizada pelo senador para deixar o solo brasileiro. Diante de especulações de que teria recebido suporte direto de assessores internacionais ou órgãos governamentais estrangeiros, Flávio Bolsonaro negou veementemente qualquer ajuda externa.
- Autonomia da Operação: Flávio afirmou que o planejamento e a execução de sua viagem foram estritamente individuais. “Fui eu. Não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo. Como cheguei aqui, vou levar isso para o túmulo”, declarou ao NYT.
- Conversa com Jair Bolsonaro: O senador relatou que tomou a decisão definitiva após um encontro presencial com seu pai, o presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília. De acordo com o relato, o presidente bolsonaro teria demonstrado preocupação com o avanço de eventuais ordens de prisão contra os filhos.
- Círculo Restrito de Informados: Flávio garantiu ao jornal que nem mesmo o pai sabia do plano de saída. Apenas sua esposa, Fernanda Bolsonaro, e suas filhas tinham conhecimento do deslocamento rumo ao exterior.
Permanência nos EUA e Reorganização Política
Atualmente estabelecido na Flórida, onde participou do jantar de gala da CPAC no complexo de Mar-a-Lago, o senador possui uma autorização temporária de permanência humanitária outorgada até outubro de 2027. Embora o cenário político nos Estados Unidos tenha sofrido alterações com as eleições americanas, a base aliada do parlamentar defende a manutenção de sua rotina no país como ponto de resistência.
Ao ser questionado sobre suas pretensões eleitorais futuras, o senador reafirmou o desejo de continuar liderando a oposição. Contemplando os desdobramentos do cenário nacional, declarou ao The New York Times que, se o quadro institucional brasileiro resultar em novas eleições no futuro, ele colocará novamente seu nome como candidato à chefia do Executivo.


















