Crise aérea na Venezuela: Alerta de Trump provoca onda de suspensões de voos internacionais
O aviso bombástico do presidente americano Donald Trump, que tratou o espaço aéreo venezuelano como “totalmente fechado”, desencadeou um caos imediato na aviação civil do país caribenho, forçando uma enxurrada de cancelamentos e deixando o setor em xeque.
Empresas como Iberia, TAP, Avianca, Latam Colômbia, Turkish Airlines e Gol já comunicaram a paralisação de suas rotas para e a partir da Venezuela, em uma reação em cadeia que expõe a fragilidade das operações aéreas sob o regime de Nicolás Maduro.

O governo chavista retaliou com a cassação das autorizações de voo dessas companhias, sob a alegação de que elas estariam envolvidas “dos atos de terrorismo promovidos” pela administração de Washington – uma acusação que, na prática, isola ainda mais o país no mapa global da aviação.
Nem todas as linhas se renderam à pressão, no entanto. A Boliviana de Aviación e a colombiana Satena seguem firmes em seus itinerários, ao lado das nacionais Avior e da estatal Conviasa, que mantêm uma rede limitada de conexões domésticas e regionais.
Já a panamenha Copa Airlines e a colombiana Wingo optaram por uma interrupção provisória nesta semana, citando falhas técnicas no sinal de comunicação; elas haviam prometido continuidade nas operações, mas o futuro das rotas permanece incerto após o anúncio da pausa, feito na quarta-feira (3/12).
Tudo começou em 21 de novembro, quando a Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) emitiu um comunicado recomendando “extrema cautela” para voos sobre a Venezuela e o sul do Caribe, apontando para uma “situação potencialmente perigosa” agravada pela presença militar americana na região – um prenúncio que já havia reduzido drasticamente o tráfego.
Antes dessa turbulência, o país registrava 105 voos semanais internacionais para 16 destinos, operados por 12 companhias estrangeiras, conforme dados da Associação Venezuelana de Companhias Aéreas (ALAV) repassados à agência EFE.
Com o céu praticamente trancado para a maioria, as opções de entrada e saída voltam-se para rotas terrestres precárias: as fronteiras com Colômbia e Brasil, marcadas por terrenos acidentados e instabilidade, ou com a Guiana, complicada por uma antiga controvérsia territorial.
O impasse aéreo não só paralisa o comércio e o turismo, mas reforça o isolamento diplomático de Maduro em meio à escalada de tensões com os EUA


















