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Ramificações por traz do Banco Master

Banco Master: liquidação pelo BC gera polêmicas envolvendo STF, influenciadora e CPI do INSS

A liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, continua a reverberar no cenário financeiro e político brasileiro, com desdobramentos que vão desde ressarcimentos a investidores até suspeitas de irregularidades judiciais e conexões com campanhas eleitorais. A medida, que afetou cerca de 1,6 milhão de clientes e custará até R$ 50 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), expôs uma rede de controvérsias envolvendo o proprietário da instituição, Daniel Vorcaro, e sua família.

Além dos trâmites para o pagamento de garantias aos correntistas – com depósitos, CDBs, LCIs e LCAs protegidos até R$ 250 mil por CPF, incluindo rendimentos até a data da liquidação –, o caso ganhou contornos de escândalo com decisões judiciais sob sigilo. O Supremo Tribunal Federal (STF), por meio do ministro Dias Toffoli, relator do processo, determinou sigilo total nas investigações da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal para apurar crimes como gestão fraudulenta e organização criminosa no Sistema Financeiro Nacional. A decisão, que centraliza no STF todas as novas diligências – como oitivas e análises de provas –, não apresenta justificativa explícita nos autos, segundo fontes próximas ao caso.

O episódio ganhou tração após reportagem do jornal O Globo revelar que Toffoli viajou em jatinho particular ao lado de Augusto Arruda Botelho, advogado de Luiz Antonio Bull, um dos investigados na trama do Master. A viagem ocorreu para a final da Copa Libertadores, em Lima (Peru), na semana passada, dias após o decreto de sigilo. Em nota oficial, o ministro afirmou ser amigo de Arruda Botelho há anos e negou qualquer discussão sobre o processo durante o voo. 

“Qualquer medida judicial há de ser avaliada previamente por esta Corte e não mais pela instância inferior”, determinou Toffoli em despacho recente, transferindo a competência da 10ª Vara Federal de Brasília para o STF devido a possíveis envolvimentos de autoridades com foro privilegiado.

Outra vertente polêmica envolve uma suposta doação de R$ 4,3 milhões feita por Vorcaro a Karolina Trainotti, influenciadora digital de 29 anos, ré em processo de 2023 por lavagem de dinheiro ligada a tráfico internacional de cocaína. 

Karolina Trainotti, influenciadora digital:

O imóvel, um apartamento de 113 metros quadrados na luxuosa região da Faria Lima, em São Paulo, foi adquirido em 2020 pela Viking Participações, empresa controlada pelo banqueiro, e transferido em dezembro de 2024. Trainotti, que se autodenomina “sugar baby” – termo em inglês para mulheres que recebem benefícios financeiros de homens mais velhos em troca de companhia social ou favores, podendo envolver aspectos sexuais –, mora no local e acumula cerca de 34 mil seguidores em redes sociais focadas em viagens e moda. Seu advogado, Eugênio Pacelli – que também representa Vorcaro em ações civis e administrativas –, defendeu a inocência da cliente, alegando desconhecimento de atividades ilícitas. Nem Trainotti nem Vorcaro comentaram a transação.

No âmbito político, a família de Vorcaro enfrenta pressão na CPI do INSS, que investiga desvios de aposentadorias via fintechs como a Clava Forte Bank. O cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel – casado com a irmã Natalia Vorcaro e CEO da Moriah Asset –, pode ser convocado para depor, apesar de não ser alvo direto da comissão. Zettel, pastor da Igreja Lagoinha e empresário de marcas como Oakberry e Les Cinq, doou R$ 5 milhões às campanhas de 2022: R$ 3 milhões a Jair Bolsonaro (PL), a maior contribuição individual à reeleição do ex-presidente, e R$ 2 milhões a Tarcísio de Freitas (Republicanos), eleito governador de São Paulo. 

O cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel:

Os deputados Rogério Correia e Alencar Santana (PT) protocolaram requerimento para rastrear suas movimentações financeiras em busca de ligações com o escândalo do INSS.

“A Controladoria-Geral da União, no âmbito das investigações sobre a farra do INSS, apontou a utilização de igrejas evangélicas por suspeitos de desviar recursos de aposentados e pensionistas como meio para promover lavagem de dinheiro”, diz trecho do requerimento de Correia. 

A assessoria de Tarcísio destacou que a campanha respeitou as leis eleitorais e teve mais de 600 doadores, sem vínculo prévio com Zettel; a de Bolsonaro não se manifestou. Zettel também repassou R$ 10 mil a Lucas de Vasconcelos Gonzalez (Novo-MG), que recebeu doações de outros familiares de Vorcaro.

A liquidação do conglomerado Master – que inclui o Banco Master de Investimento, Letsbank e a corretora Master – foi justificada pelo BC por graves violações normativas e crise de liquidez, com emissões fraudulentas de títulos prometendo até 40% acima das taxas de mercado. Vorcaro, preso preventivamente em 17 de novembro e solto 12 dias depois por ordem do TRF-1, usa tornozeleira eletrônica. O FGC estima pagamentos em até 60 dias, mas o caso expõe fragilidades no sistema financeiro e ramificações políticas que prometem prolongar o debate público.

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