Ministro do TCU Augusto Nardes será relator do processo que questiona vínculo de Ricardo Lewandowski com Banco Master
O ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União (TCU), foi sorteado como relator da representação protocolada por 21 deputados federais que pedem investigação sobre a relação financeira entre o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski e o Banco Master. A ação questiona pagamentos de cerca de R$ 6,5 milhões feitos pelo banco ao escritório de advocacia ligado à família de Lewandowski, entre 2023 e setembro de 2025 – período que inclui os 21 meses em que ele exerceu o cargo de ministro da Justiça no governo Lula.
Os parlamentares, liderados pela deputada Rosângela Moro (União Brasil-PR), apontam possível conflito de interesses e obtenção de vantagem indevida, já que os repasses continuaram mesmo após a posse de Lewandowski no Executivo. O contrato, firmado em agosto de 2023, previa consultoria jurídica e institucional estratégica, com valores mensais de R$ 250 mil.
Curiosamente, Nardes já foi beneficiado por decisão de Lewandowski: em dezembro de 2019, quando ainda era ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Lewandowski atendeu pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e arquivou inquérito que investigava o ministro do TCU por suposto envolvimento em fraudes no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), incluindo suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro. Nardes negou as acusações na época.
O sorteio do relator no TCU ocorreu recentemente, e a representação busca apurar se houve irregularidades no vínculo financeiro, especialmente considerando o cargo público exercido por Lewandowski durante parte do período contratual. O caso se insere no amplo escândalo envolvendo o Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025 por suspeitas de fraudes financeiras bilionárias, com desdobramentos na Polícia Federal (PF) e no STF.
O TCU não tem competência para julgar crimes, mas pode analisar a legalidade e a moralidade administrativa dos atos, podendo recomendar providências ou abrir tomada de contas especial. O processo ainda está em fase inicial, e Lewandowski tem negado irregularidades, afirmando que se afastou das atividades do escritório ao assumir o ministério.

















