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Brasil registra o pior desempenho para setembro na criação de vagas formais da série histórica

Dados divulgados pelo Caged apontam forte desaceleração na abertura de postos de trabalho com carteira assinada, evidenciando o impacto dos juros elevados e do desaquecimento econômico sobre o emprego no país

O mercado de trabalho formal no Brasil apresentou um sinal de desaceleração acentuada no encerramento do terceiro trimestre. Segundo dados oficiais do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, o país registrou o seu pior desempenho para o mês de setembro na criação de empregos formais desde o início da série histórica do levantamento.

O saldo entre contratações e demissões ficou substancialmente abaixo das projeções de analistas do mercado financeiro e de consultorias econômicas, acendendo o sinal de alerta sobre a perda de ritmo da atividade econômica e a capacidade de absorção de mão de obra pelo setor produtivo nos últimos meses do ano.

Fatores de Desaceleração e Impacto Setorial

A retração no ritmo de contratações com carteira assinada reflete uma combinação de fatores macroeconômicos desfavoráveis que afetam a confiança dos empresários e a disposição para novos investimentos. Entre os principais vetores apontados por especialistas, destacam-se:

  • Política Monetária Restritiva: A manutenção da taxa básica de juros (Selic) em patamares elevados encarece o crédito para empresas e consumidores, reduzindo a atividade industrial e a expansão do comércio.
  • Desempenho no Comércio e Serviços: Setores essenciais e tradicionais empregadores do país, como o comércio varejista e prestadores de serviços, registraram saldos bem mais modestos em comparação com períodos homólogos de anos anteriores.
  • Custo Operacional e Incertesa Fiscal: A elevação dos custos de contratação aliada ao cenário de dúvidas em relação às metas fiscais da União levou muitas empresas a adotar uma postura mais cautelosa quanto à ampliação de seus quadros de funcionários.

Perspectivas para o Encerramento do Ano

O resultado de setembro gera apreensão quanto à sazonalidade habitual do último trimestre, período tipicamente marcado pelo aumento de contratações temporárias voltadas para as festas de fim de ano e o comércio natalino.

Economistas avaliam que, caso a tendência de arrefecimento persista até o encerramento do quarto trimestre, a taxa geral de desemprego poderá registrar oscilações e desacelerar a dinâmica de recuperação do mercado de trabalho observada em ciclos anteriores. O governo federal, por sua vez, monitora os indicadores na tentativa de formular medidas de estímulo e desoneração para mitigar o enfraquecimento na geração de postos formais de trabalho.

Fonte: Folha de São Paulo

*Imagem da capa editada por IA

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