Departamento de Estado rebate nota do chanceler Mauro Vieira e afirma que medidas visam combater narcoterroristas que atuam em território americano
O Departamento de Estado dos Estados Unidos rechaçou as preocupações manifestadas pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil quanto ao risco de uso de força militar contra o território nacional. A reação veio após o Itamaraty citar a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas como possível justificativa para ações americanas.

Em resposta exclusiva ao Metrópoles, a diplomacia norte-americana classificou a hipótese como desproporcional:
“Esse comentário é absurdo. Os Estados Unidos estão tomando medidas decisivas, no âmbito de suas próprias competências soberanas, para combater os narcoterroristas. Essas gangues brasileiras agora atuam nos Estados Unidos, e vamos defender nosso povo contra elas.”
A pasta ainda criticou o que chamou de “alegações vagas” sobre intervenções e alertou que esse tipo de discurso pode “ajudar e incentivar” grupos criminosos:
“Alegações vagas de intervenção costumam servir de pretexto para ajudar e incentivar alguns dos grupos mais violentos do mundo.”
O posicionamento americano responde a documento assinado pelo chanceler Mauro Vieira, enviado à Câmara dos Deputados. No texto, Vieira mencionou o receio de ações extraterritoriais, inclusive militares, motivadas pela designação das facções.
A medida dos EUA, oficializada em junho, integra uma estratégia mais ampla de combate ao crime organizado transnacional. Washington tem imposto sanções a indivíduos e empresas ligados às facções e argumenta que o PCC e o CV representam ameaça direta à segurança americana.
O Itamaraty, por sua vez, considera a classificação um ato unilateral que não exige resposta formal do Brasil, mas reafirma a defesa da soberania nacional.


















