Investigação Preliminar Sumária acessou dados de computadores de assessores do presidente da Casa, secretário-geral da Mesa e servidores de diversas lideranças em busca de responsáveis por repassar informações internas à imprensa
Uma investigação interna da Câmara dos Deputados realizou uma medida considerada inédita na Casa: o escrutínio das atividades de computadores de 89 servidores, incluindo seis assessores do presidente Hugo Motta (Republicanos-PB).

A apuração, conduzida pela Comissão Permanente de Disciplina (Copedi), busca identificar quem vazou à imprensa informações sobre diárias de uma viagem do diretor-geral da Câmara, Guilherme Brandão, a Lisboa — viagem que acabou cancelada.
Além dos assessores de Motta, foram consultados os dados do secretário-geral da Mesa, Lucas Ribeiro Almeida Jr., de uma assessora sênior da liderança do PT, da chefe de gabinete do 2º secretário Lula da Fonte (PP-PE) e de um servidor da Liderança da Minoria.
A extração dos dados foi realizada pela Diretoria de Tecnologia da Câmara. Os registros formam uma tabela de 814 páginas em PDF, com dias, horários de acesso ao sistema, processos consultados e ações realizadas.
Em quatro casos, a análise foi ainda mais profunda, abrangendo todas as ações no sistema interno desde 1º de janeiro de 2026. Um computador da liderança do Cidadania chegou a ser removido fisicamente por policiais legislativos.
A Câmara dos Deputados emitiu nota oficial sobre o caso:
“A apuração de possíveis infrações não é uma faculdade da Administração Pública, mas um dever legal. […] Esclarece-se, no entanto, que não houve quebra de sigilo funcional de nenhum servidor da Câmara dos Deputados. […] A eventual presença de nomes nesses registros não significa que os respectivos servidores sejam investigados.”
A nota ainda reforça que um processo administrativo disciplinar aberto sobre pagamento de horas extras foi arquivado por falta de indícios de irregularidade.


















