Em nota oficial, presidência da CREDN classifica resposta do governo ao tarifaço como derrota diplomática irresponsável; quebra nas exportações já castiga estados do Nordeste
A imposição da sobretaxa aduaneira de 25% pelos Estados Unidos contra os produtos brasileiros provocou uma reação contundente no Congresso Nacional. A presidência da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) da Câmara dos Deputados emitiu um duro manifesto de repúdio à condução das negociações bilaterais pelo Ministério das Relações Exteriores, classificando o desfecho como uma das maiores derrotas comerciais da história recente do país.



De acordo com o documento assinado pelo presidente do colegiado, o deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança, o pacote de barreiras tarifárias anunciado por Washington não era um movimento inevitável do mercado. A comissão aponta o resultado como consequência direta de uma política externa pautada pelo confronto ideológico e pela falta de pragmatismo técnico em proteger o setor produtivo.
O relatório da CREDN expõe que o Palácio do Planalto optou deliberadamente pelo tensionamento ao transferir a disputa para instâncias multilaterais, negligenciando os canais diretos de diálogo oferecidos pelas autoridades norte-americanas.
A nota destaca que a decisão de submeter a controvérsia à Organização Mundial do Comércio (OMC), em agosto de 2025, atropelou o calendário de entendimentos bilaterais e fechou as portas para um acordo de isenção setorial. Estimativas internas da comissão indicam que essa escolha estratégica e a subsequente retaliação de Washington devem impor um rombo de aproximadamente US$ 11 bilhões à economia brasileira.
Enquanto Brasília e Washington travam a disputa de narrativas, o impacto real das barreiras alfandegárias já começou a desestruturar cadeias produtivas regionais, com perdas acentuadas na região Nordeste. Dados consolidados do primeiro semestre apontam um recuo severo de 52,7% nas exportações nordestinas direcionadas ao mercado norte-americano.
O encolhimento do fluxo de comércio exterior atingiu patamares críticos em polos industriais e agrícolas de estados específicos:
- Alagoas: Lidera a retração regional com uma queda de 71% nos embarques de mercadorias.
- Piauí e Rio Grande do Norte: Registraram tombos de 68% e 65%, respectivamente, em suas balanças comerciais com os EUA.
- Pernambuco: Teve redução de 64% nas vendas externas para o parceiro americano.
A oposição parlamentar argumenta que o colapso desses indicadores afeta diretamente pequenas e médias empresas dos setores de calçados, móveis e manufaturados, resultando em fechamento de postos de trabalho e estagnação econômica nas regiões economicamente mais vulneráveis do país. O argumento central dos críticos é que o governo federal sacrificou empregos locais para manter alinhamentos políticos internacionais controversos.
Fonte: Claudio Dantas

















