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Condenado por caixa 2 é presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores de Pesca e Aquicultura

Presidente da CBPA, investigada por fraudes milionárias, é condenado por caixa 2 em campanha eleitoral

Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, líder da Confederação Brasileira dos Trabalhadores de Pesca e Aquicultura (CBPA) – entidade com sede em Brasília suspeita de arrecadar R$ 221,8 milhões em descontos indevidos nos benefícios do INSS –, foi condenado em agosto de 2025 por prática de caixa 2 durante a campanha eleitoral de 2014, quando disputou uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Rio Grande do Norte.

De acordo com as investigações do Ministério Público Eleitoral, Abraão utilizou a conta bancária de uma auxiliar de secretaria subordinada como “laranja” para receber recursos não declarados à Justiça Eleitoral. Movimentações “vultosas” foram identificadas, com saques realizados por um filho do réu ou transferências para contas de familiares, incluindo a esposa.

A apuração teve origem em desdobramentos da Operação Enredados, da Polícia Federal, inicialmente focada em crimes ambientais e lavagem de dinheiro no setor pesqueiro. Entre os indícios, um policial militar depositou R$ 86 mil na conta intermediária, sem justificar adequadamente o repasse, enquanto a esposa de Abraão transferiu R$ 46 mil.

Em defesa, o presidente da CBPA alegou que os valores provinham de uma “vaquinha” organizada pela confederação para apoiar movimentos do setor pesqueiro. No entanto, o MP contestou a versão, destacando que uma simples busca na internet revelou que o evento citado, “Gritos da Pesca”, ocorreu em período diferente das transações bancárias.

A defesa de Abraão Lincoln, por meio do advogado Emanuel Grilo, informou que recorreu da sentença:

“recorreu e o TRE-RN ainda não julgou o recurso”. “O caixa 2 seria, segundo a denúncia, gastos na contabilizados que correspondem a uma fração irrisória do gasto total declarado”, disse Emanuel Grilo, advogado de Abraão.

“Naquele tempo não havia teto de gastos de campanha, e cada partido informava à justiça eleitoral quanto gastaria, de modo que não faria sentido sonegar documentos da prestação de contas deliberadamente”, finalizou.

Abraão Lincoln tem histórico de envolvimento em investigações. Em 2015, foi alvo da Operação Enredados, acusado de liderar organização criminosa ligada ao extinto Ministério da Pesca e Aquicultura, com prisões preventivas por corrupção ativa e crimes ambientais. Solto em 2016, o processo segue em tramitação.

Mais recentemente, em novembro de 2025, foi detido pela CPMI do INSS por falso testemunho, ao negar proximidade com o tesoureiro da CBPA, Gabriel Negreiros – padrinho de seu neto e beneficiário de depósito de R$ 5 milhões feito por Abraão. Liberado após pagamento de fiança, o caso ampliou escrutínio sobre a entidade.

A CBPA, criada em 2020, firmou acordo com o INSS em 2022, permitindo descontos em benefícios mesmo sem associados iniciais. Relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) aponta falta de estrutura: sede em pequena sala comercial com apenas uma funcionária presente por poucas horas diárias, sem registro de empregados na RAIS.

Apesar disso, a confederação cadastrou 757 mil filiados até 2025, com crescimento explosivo – de 4 em maio de 2023 para 340 mil no fim do ano, gerando R$ 57,8 milhões, e pico de 445 mil no primeiro trimestre de 2024, com R$ 41,2 milhões. A CGU calcula ritmo improvável de adesões: equivalente a 17,76 por minuto em dias úteis, suspeitando de telemarketing proibido.

Além disso, 99% dos 215 mil reclamantes de descontos não autorizaram as deduções, e a entidade solicitou inclusões em benefícios de mais de 40 mil falecidos.

A fraude no INSS, envolve bilhões em descontos irregulares, levando à Operação Sem Desconto da PF, demissões no alto escalão do instituto e apurações da CPMI. A CBPA também pagou lobistas envolvidos no esquema e mantém ligações com ex-dirigentes do INSS.

O caso reforça debates sobre fraudes em aposentadorias, descontos indevidos no INSS e influência de entidades sindicais em órgãos públicos, em meio a investigações que expõem vulnerabilidades no sistema previdenciário brasileiro.

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