A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, decidiu descartar, por enquanto, qualquer pedido de nulidade do inquérito em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF). A mudança de estratégia ocorreu logo após a troca de relator: o caso, antes sob a responsabilidade do ministro Dias Toffoli, passou para o ministro André Mendonça por meio de sorteio, em decisão tomada pelo plenário da Corte em fevereiro de 2026.
Inicialmente, circulavam informações de que a equipe jurídica avaliava arguir violação ao princípio do juiz natural, alegando que a redistribuição sem declaração formal de suspeição ou impedimento por parte de Toffoli poderia abrir brecha para questionar a validade de atos processuais anteriores. No entanto, após discussões internas e considerando o contexto institucional, a defesa optou por abandonar essa linha de ataque.
“A estratégia da defesa sempre foi e continua sendo o foco no esclarecimento do mérito por meio das vias legais adequadas”, afirmam os advogados em nota oficial, reforçando que o objetivo é demonstrar a veracidade dos fatos por canais apropriados, sem recorrer a teses de nulidade que poderiam gerar atrito adicional com o STF.
Com o novo relator no comando, Vorcaro sinaliza disposição para colaborar ativamente. Fontes próximas à defesa indicam que o banqueiro “quer falar” e prestar esclarecimentos tanto no âmbito judicial quanto em instâncias parlamentares. Ele já confirmou presença para depoimentos na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, marcada para 24 de fevereiro, e na CPMI do INSS, agendada para o dia 26 do mesmo mês – ocasiões em que deve abordar as fraudes investigadas, os empréstimos consignados irregulares e possíveis conexões políticas e financeiras expostas na operação.
O caso Banco Master segue repercutindo fortemente, com debates sobre transparência no sistema financeiro, supervisão do Banco Central, sigilo processual no STF e o impacto de relações entre banqueiros e autoridades com foro privilegiado.
A PF continua analisando mensagens e provas apreendidas, incluindo conteúdos que mencionam figuras do Judiciário, enquanto Mendonça avalia os próximos passos, como possível revisão de sigilos, devolução de documentos a comissões do Congresso ou até remessa do inquérito à primeira instância.
A postura atual da defesa reforça a aposta em uma defesa meritória e colaborativa, em meio a um cenário de alta sensibilidade institucional e pressão por respostas claras sobre as irregularidades que levaram à intervenção e liquidação extrajudicial do banco.


















