Em declaração que gerou forte indignação e críticas contundentes de setores conservadores, Andrei Augusto Passos Rodrigues gabou-se da logística operacional e chegou a acionar assessoria para catalogar detenções em massa no livro dos recordes
A condução da cúpula da Polícia Federal volta a ser alvo de severas contestações públicas, revelando o tom de inusitada ostentação com que autoridades trataram episódios de forte comoção nacional. Em declaração que escancarou a falta de sobriedade institucional diante de crises humanitárias e jurídicas, o diretor-geral da corporação, Andrei Augusto Passos Rodrigues — recentemente reintegrado ao cargo por determinação do ministro Flávio Dino —, vangloriou-se abertamente das detenções em massa ocorridas após os atos de 8 de janeiro de 2023.

Sem demonstrar qualquer cautela com o drama humano e as discussões jurídicas em torno da individualização das condutas dos detidos, Rodrigues tratou a operação policial como um feito espetacular a ser comercializado para o entretenimento global. À época da declaração, o chefe da corporação revelou ter acionado sua equipe de comunicação com um propósito insólito: tentar emplacar o episódio no tradicional livro dos recordes.
“Aliás, já pedi até para minha assessoria contactar o Guinness Book: é a maior prisão da história do mundo. Nós prendemos 2 mil pessoas em flagrante. E aí vocês imaginam a logística disso tudo acontecer, sendo que nós tínhamos uma semana da minha gestão”, declarou o dirigente.
A postura de transformar uma operação de prisões em massa em motivo de celebração e busca por notoriedade internacional atraiu uma avalanche de críticas severas de juristas, parlamentares e defensores dos direitos constitucionais. A leviandade ao tratar cerca de 2 mil detenções em flagrante como um troféu corporativo evidenciou o distanciamento da corporação de seu papel estrito de polícia de Estado, priorizando o autoflagelo da legalidade e a espetacularização punitiva.
Para os críticos, a insistência do governo em blindar e recolocar figuras com esse histórico no comando da principal força de investigação do país reforça a politização das estruturas de segurança pública, transformando medidas de exceção em motivo de orgulho burocrático e escancarando a erosão das garantias fundamentais no Brasil.
Fonte: Revista Oeste
*Imagem da capa gerada por IA

















