Irã fecha parcialmente o Estreito de Ormuz durante exercícios militares em meio a negociações nucleares com EUA
O Irã anunciou e executou nesta terça-feira (17) o fechamento parcial e temporário de partes do Estreito de Ormuz, via marítima estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás comercializados no mundo. A medida, que durou algumas horas, foi justificada como “precauções de segurança” durante exercícios navais da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), segundo a agência semioficial iraniana Fars.
O anúncio coincidiu com o início de uma nova rodada de negociações indiretas entre Estados Unidos e Irã em Genebra, na Suíça, mediadas por Omã. Os enviados americanos — Steve Witkoff e Jared Kushner — e o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, discutiram limitações ao programa nuclear iraniano, incluindo o estoque de cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60% (nível próximo ao bélico, segundo a AIEA), em troca de suspensão de sanções econômicas.
O governo Trump pressiona por um acordo abrangente que inclua fim do enriquecimento de urânio, restrições ao programa de mísseis balísticos e corte de apoio a grupos armados na região. Trump, que já ordenou bombardeios a instalações nucleares iranianas em junho de 2025, alterna otimismo com ameaças explícitas:
“Não acho que eles queiram as consequências de não fazer um acordo.”
“Poderíamos ter feito um acordo em vez de enviar os B-2s para destruir seu potencial nuclear. E tivemos que enviar os B-2.”
O líder supremo iraniano, Aiatolá Ali Khamenei, respondeu com tom desafiador, rejeitando qualquer tentativa de mudança de regime:
“O presidente dos EUA diz que seu exército é o mais forte do mundo, mas o exército mais forte do mundo às vezes pode levar um tapa tão forte que não consegue se levantar.”
A presença militar americana na região é reforçada: os porta-aviões USS Gerald R. Ford (o maior do mundo) e USS Abraham Lincoln, bombardeiros B-2, destroyers e dezenas de navios de guerra formam um cerco naval significativo.
O Irã mantém exercícios no estreito como demonstração de força, e já ameaçou bloqueio total em caso de ataque.
Após a reunião de cerca de três horas e meia, Araqchi avaliou positivamente o diálogo, afirmando avanços em “princípios centrais” e abertura de uma “nova oportunidade” para solução sustentável, com trabalho em documentos nos próximos dias. No entanto, diferenças persistem: o Irã condiciona qualquer pacto à suspensão efetiva de sanções e rejeita demandas “excessivas” sobre mísseis ou apoio regional.
Especialistas alertam que um bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz poderia elevar drasticamente os preços do petróleo e impactar o comércio global.

















