Déficit das empresas públicas exclui Petrobras, Eletrobras e grandes bancos; resultado piora contas fiscais e preocupa em meio à reestruturação dos Correios
As estatais federais acumularam um déficit primário recorde de R$ 5,9 bilhões entre janeiro e abril de 2026, segundo dados do Banco Central. O rombo representa 0,14% do PIB e é o pior resultado para o período desde o início da série histórica, em 2002.

O número supera o prejuízo registrado em todo o ano de 2025 e também é pior que o déficit de R$ 2,73 bilhões apurado no mesmo intervalo do ano anterior. O indicador divulgado pelo BC não considera a Petrobras, a Eletrobras e os bancos públicos Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.
Janeiro foi o mês com o pior desempenho individual, enquanto abril registrou o segundo maior prejuízo do ano até o momento. O resultado reforça as dificuldades enfrentadas por várias empresas públicas, especialmente os Correios, que encerraram 2025 com um rombo de R$ 8,5 bilhões — três vezes maior que o prejuízo de 2024.
A estatal vive um processo de reestruturação após registrar patrimônio líquido negativo e acumular perdas significativas ao longo dos últimos anos. Como parte do plano de recuperação, os Correios captaram R$ 12 bilhões em crédito com um pool de bancos para normalizar o fluxo de caixa e quitar obrigações pendentes.
O desempenho negativo das estatais federais ganha relevância no debate sobre as contas públicas, especialmente em um ano marcado por discussões sobre ajuste fiscal e eficiência das empresas controladas pelo governo.


















