Filhos do presidente Bolsonaro pressionam governo Trump para endurecer combate ao crime organizado; medida é vista como trunfo eleitoral para a pré-candidatura de Flávio em 2026, mas gera preocupação no Planalto com possível interferência externa
O governo dos Estados Unidos está avaliando a possibilidade de designar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A informação foi revelada nesta sexta-feira pelo jornal The New York Times e aponta forte influência do lobby realizado pelos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com a reportagem, a administração de Donald Trump ainda não tomou decisão final, mas mantém as duas maiores facções criminosas brasileiras “no radar” por representarem “ameaças significativas à segurança regional devido ao envolvimento com tráfico de drogas, violência e crime transnacional”.
Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato à Presidência da República pelo PL, e seu irmão Eduardo Bolsonaro têm atuado ativamente junto a autoridades americanas. Aliados do clã bolsonarista trabalham há meses para convencer a Casa Branca da medida, que é considerada um importante ativo eleitoral. Pesquisas indicam que segurança pública é um dos temas mais sensíveis para o eleitorado brasileiro.
Flávio chegou a viajar a Washington no ano passado para apresentar um relatório detalhado sobre as atividades do PCC e do CV, incluindo acusações de lavagem de dinheiro e tráfico internacional de drogas.
A possível classificação preocupa o governo Lula, que vê risco de interferência externa na política interna brasileira. Autoridades do Palácio do Planalto temem que a medida possa abrir brecha para ações unilaterais dos EUA, como sanções econômicas ou até operações militares, semelhantes ao que ocorreu em outros países da região.
Fonte VEJA


















