Decisão do Departamento de Estado ocorre em meio a retaliações mútuas e atraso do governo brasileiro na concessão de aval para o novo chefe da missão americana no país
O governo norte-americano anunciou nesta terça-feira, 4 de agosto de 2026, a revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida drástica foi confirmada por autoridades do Departamento de Estado como uma resposta direta à demora e à resistência de Brasília em conceder o agrément (o aval diplomático oficial) para a nomeação de Daniel Perez como novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil.

A retaliação diplomática intensifica o desgaste na relação bilateral, que já vinha acumulando episódios de atrito nas últimas semanas, incluindo restrições e negativas de entrada impostas pelo Itamaraty a diplomatas e assessores norte-americanos ligados à administração de Donald Trump.
O impasse em torno do agrément e os desdobramentos
De acordo com o alto escalão do governo dos Estados Unidos, a medida punitiva contra a principal representante diplomática brasileira em solo americano tem caráter de reciprocidade política. Contudo, Washington esclareceu que a revogação do documento não configura formalmente uma expulsão sumária. Na prática, a embaixadora está autorizada a permanecer no país, embora esteja temporariamente sem o visto regularizado — situação que só deverá ser revertida caso o Palácio do Planalto aceite destravar a nomeação do diplomata indicado pela Casa Blanca.
O impasse expõe um cenário complexo de cálculo político em Brasília, onde alas governistas avaliavam postergar a liberação do aval norte-americano, enquanto o Congresso e especialistas em relações internacionais alertam para os riscos de aprofundar uma crise de proporções imprevisíveis com a maior potência do hemisfério norte.
Fonte: Globo News / G1


















