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Guerra dos números: Divergência entre a Quaest e outros institutos nas pesquisas de 2026

Enquanto Nexus e Futura apontam cenário de empate técnico absoluto no segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, levantamento da Quaest mostra o atual presidente com folga fora da margem de erro

O mercado de pesquisas eleitorais no Brasil ganhou um novo capítulo de forte debate metodológico. Levantamentos divulgados na mesma semana traçaram cenários consideravelmente distintos para um eventual segundo turno entre o atual petista Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro. A discrepância mais evidente gira em torno dos dados publicados pelo instituto Quaest, que contrastam de maneira nítida com os números apresentados pela Nexus/BTG Pactual e pela Futura/Apex.

A variação entre as pesquisas acendeu o sinal de alerta entre estrategistas políticos, evidenciando como pequenas diferenças em campo e metodologias de amostragem podem desenhar cenários políticos completamente divergentes para 2026.

A Discrepância nos Dados: Empate Técnico vs. Vantagem Isolada

Enquanto dois dos principais institutos apontam para um cenário de extrema polarização e equilíbrio milimétrico, a Quaest destoa ao colocar o atual mandatário em uma situação de conforto fora da margem de erro.

Abaixo, a comparação dos dados coletados pelos institutos na simulação de segundo turno:

Instituto de PesquisaIntenção de Voto: Lula (PT)Intenção de Voto: Flávio Bolsonaro (PL)Cenário Projetado
Futura/Apex46%46%Empate Real (0% de diferença)
Nexus/BTG47%44%Empate Técnico (dentro da margem de erro)
Quaest45%37%Vantagem de Lula (8 pontos de diferença, fora da margem)

Por que os Números Divergem Tanto?

Especialistas em estatística e cientistas políticos apontam que divergências dessa magnitude em janelas temporais tão curtas geralmente não refletem mudanças bruscas de opinião do eleitorado, mas sim características metodológicas internas de cada empresa:

  1. Forma de Abordagem (Presencial vs. Telefone):
    A Quaest realiza suas entrevistas de forma presencial (face a face, no domicílio do eleitor). Já institutos como a Futura realizam entrevistas telefônicas guiadas por computador. Historicamente, pesquisas por telefone tendem a capturar uma amostra de eleitores com maior renda e escolaridade, extrato em que a oposição costuma performar melhor.
  2. Ponderação Socioeconômica:
    O peso atribuído a faixas de renda, religião e escolaridade no desenho amostral de cada instituto influencia diretamente o resultado final. Se um instituto subestima ou superestima o eleitorado evangélico ou a classe média baixa, os dados de Lula ou Flávio Bolsonaro oscilam de forma artificial.
  3. Distribuição Geográfica das Coletas:
    Mesmo com amostras nacionalmente representativas de cerca de 2.000 entrevistados por pesquisa, a escolha exata dos municípios sorteados para a coleta domiciliar pode carregar vieses regionais específicos.

Fonte: CNN BRASIL

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