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Jaques Wagner tentou vender terreno avaliado em R$ 15,8 milhões um dia após operação da PF

Cartório bloqueou a transação por ordem do STF; senador também negociava apartamento em Salvador e recebeu parte dos valores mesmo com bens indisponíveis

O senador Jaques Wagner (PT-BA) protocolou a venda de um terreno de grande porte na Bahia apenas um dia após ser alvo de buscas da Polícia Federal na Operação Compliance Zero. O imóvel, avaliado em R$ 15,8 milhões, teve a transferência de propriedade barrada por determinação judicial de bloqueio de bens.

A Polícia Federal deflagrou a ação em 18 de junho de 2026. No dia seguinte, 19 de junho, Wagner apresentou no cartório o contrato de venda do terreno de aproximadamente 51 mil m², adquirido por ele no ano 2000 por apenas R$ 28 mil.

Localizado na Região Metropolitana de Salvador, o lote interessava a um grupo empresarial ligado ao Esporte Clube Bahia para um projeto imobiliário próximo a um novo centro de treinamento. O cartório registrou a indisponibilidade do bem por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), impedindo a transferência da propriedade. Mesmo assim, o senador já havia recebido ao menos R$ 12 milhões relacionados às negociações imobiliárias.

Semanas antes, Wagner também havia formalizado a venda de seu apartamento no Corredor da Vitória, em Salvador, por R$ 10 milhões. Essa transação foi protocolada antes da operação, mas igualmente bloqueada pelo mesmo despacho judicial.

No caso do terreno, o pagamento previa inicialmente uma nota promissória com vencimento em 2029. Posteriormente, Wagner ajustou para R$ 2 milhões à vista (já quitados) e o restante em lotes do futuro empreendimento.

A compradora é uma empresa associada ao Grupo City, que controla a SAF do Bahia. O clube informou que adquiriu terrenos de cinco proprietários diferentes e que o lote de Wagner representava cerca de 4% do total, sem impacto esperado no projeto.

A defesa do senador afirmou não haver qualquer irregularidade. “Não há mínima irregularidade e nem nada a esconder”, disse o advogado Pablo Domingues, destacando que os fatos são públicos e serão tratados judicialmente. Wagner não se manifestou diretamente sobre os detalhes das vendas.

Jaques Wagner foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de recebimento de vantagens indevidas ligadas ao Banco Master.

Entre os pontos investigados estão supostos repasses para a compra de um apartamento de luxo destinado a uma familiar e pagamentos a empresas ligadas à família do senador. Após a operação, o petista deixou o cargo de líder do governo Lula no Senado e segue como pré-candidato à reeleição.

Fonte: Estadão

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