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Lula descobre atrasado que carrega nas costas a “promiscuidade” do STF

Em tom de quem tropeçou na própria história, petista dispara contra a Suprema Corte após revés nas urnas e tenta resgata o discurso de que agora ele seria o verdadeiro “antissistema”

Na reta corrida do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, o petista Lula da Silva (PT) resolveu vestir o figurino de crítico implacável do Judiciário. Em declarações repercutidas pela CNN Brasil, o petista soltou o verbo e afirmou, sem meias palavras, que a sua campanha está “carregando nas costas uma coisa muito grave, que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte”.

A guinada retórica surpreendeu os mais atentos aos bastidores da política nacional. Afinal, falar em “promiscuidade” no Supremo Tribunal Federal logo após amargar um resultado desfavorável no primeiro turno — ficando atrás de Flávio Bolsonaro (PL) — soa, no mínimo, como um ato de prestidigitação política tardia. O governante que durante anos nomeou ministros, aplaudiu acordos de gabinetes e celebrou alianças de tapete verde agora acorda para descobrir que o arranjo institucional de sua própria lavra pesou… nas costas dele mesmo. 

A culpa é do STF? O figurino antissistema reciclado 

Em sua cruzada pós-primeiro turno, Lula tentou convencer o eleitorado de que, vejam só, o verdadeiro candidato “antissistema” na praça seria ele. Sob aplausos de fiéis escudeiros, o presidente defendeu uma nova reforma no Poder Judiciário, questionando critérios seculares de escolha para as vagas na Corte: se por interesse pessoal do governante, por pressão do Congresso ou pelo poder econômico. 

“Vamos ter que discutir com a sociedade qual é o critério para indicar um candidato ao Supremo. E se vai ter mandato ou não. Está na hora de discutir isso. Ninguém está acima da lei, nem os ministros da Suprema Corte”, disparou o presidente. 

A ironia não passou despercebida por analistas e opositores. O mandatário que em seus mandatos indicou nomes de absoluta confiança pessoal e política para o STF — como Cristiano Zanin e Flávio Dino — agora propõe debater mandatos fixos e critérios republicanos, como se o passado recente de indicação de aliados tivesse sido gerado por geração espontânea.

Enquanto tenta sacudir o peso desse “fardo” invisível em busca de votos para o confronto decisivo de 25 de outubro, resta saber se o eleitor vai comprar a narrativa de que o arquiteto do sistema virou, subitamente, a principal vítima dele.

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