Enquanto a contabilidade nacional implode sob a marca histórica de 82% do PIB, o Palácio do Planalto descobre que os dígitos superlativos do rombo financeiro carecem de qualquer poder efetivo de abalo emocional
No fascinante universo onde a gravidade econômica é opcional, o petista Lula da Silva elevou o surrealismo orçamentário a categorias até então desconhecidas pela ciência contábil. Confrontado com a modesta bagatela de que a dívida pública brasileira ultrapassou a marca astronômica de R$ 10 trilhões — alcançando confortáveis 82% do Produto Interno Bruto —, o petista Lula reagiu com a serenidade de quem descobre que o troco da padaria veio com dez centavos a menos. Para o governo, o tsunami fiscal não passa de uma miragem estatística sem relevância dramática.

Afinal, por que se desesperar diante de números que exigiriam calculadoras quânticas para contagem de zeros? Em sabatina recente, ao ser lembrado do abismo financeiro que corrói os cofres da nação, a resposta do petista veio revestida de uma ironia involuntária e desconcertante: a trajetória do endividamento simplesmente “não o preocupa”. Numa demonstração de que a realidade material pode ser moldada pela força do verbo, o chefe do Executivo sugeriu que o montante multibilionário é apenas um detalhe estético na grandiosa paisagem do desenvolvimento.
A lógica subjacente à performance desafia qualquer tratado de macroeconomia clássica. Se o país gasta trilhões além da conta, a culpa recai magicamente sobre o passado remoto, sobre as intempéries climáticas ou sobre a insistência dos juros em existirem. Enquanto analistas financeiros arrancam os cabelos diante do risco de insolvência, o Palácio do Planalto prefere comparar o buraco nacional com potências globais, como se o endividamento de uma superpotência industrial operasse sob as mesmas regras de uma economia estrangulada por déficits crônicos.
O ápice do número de ilusionismo econômico se completa com a autoproclamação de austeridade: ao aceno de um superávit primário projetado nas raias de 0,1% para o ano, o governo decreta a si mesmo o título de campeão mundial da responsabilidade fiscal. No reino da fantasia soberana, onde trilhões de reais evaporam no ar sem deixar vestígios de culpa no retrovisor, o contribuinte que arque com a conta que nos aguarde — afinal, com tanta criatividade no discurso, o déficit é apenas um estado de espírito.
Fonte: Globo News
*Imagem da capa gerada por IA

















