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Materiais apreendidos na Operação Compliance Zero são lacrados na PF

Toffoli determina que bens e materiais apreendidos na Operação Compliance Zero sejam lacrados e armazenados no STF

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso envolvendo supostas fraudes no Banco Master, determinou nesta quarta-feira (14 de janeiro de 2026) que todos os bens, documentos e materiais apreendidos pela Polícia Federal (PF) na segunda fase da Operação Compliance Zero sejam lacrados e acautelados diretamente na sede do STF, até decisão posterior.

A ordem foi emitida logo após o cumprimento de 42 mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro (dono do Banco Master), seus familiares, o empresário Nelson Tanure, o investidor João Carlos Mansur (ex-presidente da Reag Investimentos) e outros investigados, em cinco estados: São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

As medidas incluem sequestro e bloqueio de bens que superam R$ 5,7 bilhões, além de apreensões de itens como carros importados, relógios de luxo, uma arma, celulares (incluindo o de Vorcaro) e R$ 97,3 mil em dinheiro em espécie.

No despacho, Toffoli justificou a medida pela necessidade de preservação das provas e cadeia de custódia segura, evitando qualquer risco de alteração ou perda durante análises periciais. Seu gabinete explicou:

“o acautelamento imediato tem por finalidade a preservação das provas recolhidas pela autoridade policial e serão devidamente periciadas pelas autoridades competentes.”

A decisão completa determina:

“DETERMINO que todos os bens e materiais APREENDIDOS por força do cumprimento da decisão por mim anteriormente proferidas e aqueles resultantes do cumprimento da presente, deverão ser LACRADOS e ACAUTELADOS diretamente na sede do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, até ulterior determinação.”

A ordem é considerada incomum, pois tipicamente a PF realiza perícias e guarda os itens em suas próprias instalações.

A medida ocorre em meio a críticas do ministro à corporação por suposto descumprimento de prazos para a deflagração da operação (autorizada em 12 de janeiro com prazo de 24 horas).

Toffoli já havia cobrado explicações do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, em até 24 horas sobre a “inércia exclusiva” e possíveis prejuízos à investigação.

A segunda fase da operação investiga gestão fraudulenta, manipulação de mercado, lavagem de capitais e organização criminosa no Banco Master, com foco em captação irregular de recursos, aplicação em fundos e desvios para patrimônio pessoal de Vorcaro e parentes.

O banco foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025, após a primeira fase, com risco de resgate bilionário pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

A defesa de Vorcaro afirmou que o cliente “tem colaborado com as autoridades, além de ter ‘interesse no esclarecimento completo dos fatos’”.

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