Dados extraídos de investigações da Polícia Federal e divulgados pela imprensa detalham preparativos de encontro em apartamento em São Paulo, incluindo contratação de serviços de agenciamento, gastos elevados com iguarias e relatos minuciosos de funcionários
Novos desdobramentos de investigações que miram o empresário Daniel Vorcaro trouxeram à tona conversas e registros detalhados que reconstituem os preparativos e o andamento de uma festa realizada na véspera do Carnaval de 2025. O material, obtido a partir de mensagens extraídas de aparelhos celulares e divulgado pela imprensa, aponta que o encontro, realizado em um apartamento de luxo na capital paulista, teve como figura central de recepção o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques.













As evidências documentais detalham desde a logística de organização e as restrições impostas aos convidados até a movimentação de funcionários e cobranças financeiras posteriores relacionadas ao evento.
Os preparativos e a articulação logística do evento
A movimentação para o encontro começou dias antes. De acordo com as conversas digitalizadas, Vorcaro contatou uma agenciadora de garotas de programa identificada como Rayanna na terça-feira, 25 de fevereiro de 2025, para verificar a disponibilidade de serviços para a sexta-feira seguinte, dia 28. Na ocasião, o banqueiro pediu o acréscimo de mais uma pessoa ao atendimento.
Parallelamente, a estrutura do evento envolveu contratos de alto padrão gastronômico. O executivo acionou um chef de cozinha para preparar um churrasco e coordenar o cardápio, cujos custos totais com insumos — incluindo carnes nobres, trufas e cinco latas de caviar — chegaram a R$ 21.121,90. Em mensagens trocadas com colaboradores próximos, como seu arquiteto e o ex-diretor jurídico do Banco Master, Luiz Rennó, Vorcaro comentou abertamente que receberia um ministro em sua residência e que estava “fazendo graça pra ministro em SP”.
À medida que o horário da festa se aproximava, imprevistos logísticos foram contornados. A agenciadora Rayanna informou que não conseguiria comparecer pessoalmente, mas enviou duas mulheres de sua confiança, o que foi aceito por Vorcaro sob uma condição estrita: que todas deixassem os celulares guardados para evitar registros visuais ou digitais.
O desenrolar da festa pelo relato dos funcionários
Registros de áudio e texto enviados pelo mordomo Michael e pelo motorista encarregado da recepção detalham a dinâmica do evento no interior do imóvel. Logo no início da tarde, os funcionários organizaram a entrada das convidadas e o recolhimento de aparelhos de telefone.
Conforme o cair da noite, os relatórios enviados ao patrão descreviam um ambiente de total descontração. O funcionário responsável relatou que o ministro e cinco mulheres ocuparam um dos quartos do apartamento. Horas mais tarde, as mensagens detalhavam que parte dos presentes estava na área da piscina e que o magistrado demonstrava intenção de prolongar a estadia e renovar o encontro.
Por volta das 23h15, o convidado deixou o local. Logo após a saída, os funcionários iniciaram a limpeza do espaço, encontrando vestígios materiais da festa que foram fotografados e reportados a Vorcaro.
A cobrança posterior e a defesa dos citados
Uma semana após a realização do encontro, em 7 de março de 2025, a articulação voltou aos registros de mensagens. A agenciadora Rayanna entrou em contato com o banqueiro para confirmar o sucesso do repasse e cobrar pelos serviços prestados, afirmando que uma das mulheres relatou ter ficado diretamente com o ministro. Na conversa, foi cobrada a quantia de R$ 10 mil, acompanhada do envio de uma chave Pix para a quitação. Embora os dados da cobrança constem nos autos, as mensagens extraídas não comprovam de forma definitiva se o pagamento foi concretizado.
Em manifestação oficial sobre o caso, a defesa do ministro Kassio Nunes Marques negou qualquer irregularidade, sublinhando que o magistrado nunca solicitou favores ou vantagens ao banqueiro, tampouco manteve trocas diretas de mensagens com ele. A nota ressalta ainda que o ministro não pode ser responsabilizado por ações, conversas ou iniciativas de terceiros e classificou a tentativa de vincular os diálogos à sua atuação pública como uma narrativa sem respaldo fático.
Fonte: G1
*Imagem da capa gerada por IA

















