As eleições de 2026 não estão em jogo apenas na disputa pelo Palácio do Planalto. Na leitura de William Waack, existe uma outra disputa, menos visível para o grande público, mas de enorme importância institucional: a disputa pelo futuro do Supremo Tribunal Federal.
O ponto central é que o resultado das urnas poderá produzir consequências que ultrapassam em muito o mandato do próximo presidente da República. A eleição presidencial terá reflexos sobre a própria composição da mais alta Corte do país e, consequentemente, sobre a correlação de forças dentro do STF.
Essa perspectiva ajuda a compreender por que as eleições acirram disputas que, à primeira vista, poderiam parecer exclusivamente internas ao Judiciário. O Supremo também entrou no jogo eleitoral
A questão fundamental é simples: quem vencer a eleição presidencial terá capacidade de influenciar a composição futura do STF.
ALEXANDRE DE MORAES
Na análise de William Waack, a situação envolvendo Alexandre de Moraes ganha relevância porque se insere em uma crise institucional mais ampla dentro do próprio Supremo Tribunal Federal. O caso Banco Master e o conteúdo extraído do celular de Daniel Vorcaro passaram a produzir questionamentos sobre relações entre personagens ligados à instituição e pessoas envolvidas no episódio. O ponto de maior importância, porém, não está apenas na existência dessas mensagens, mas nas consequências que elas podem produzir dentro da própria Corte.
A questão se torna particularmente sensível porque, segundo a linha de análise de Waack, o Supremo não aparece como um bloco completamente homogêneo. Existem divergências entre ministros sobre como determinados fatos devem ser tratados e sobre até onde devem avançar as investigações. Nesse ambiente, eventuais elementos envolvendo integrantes da própria Corte deixam de ser uma questão meramente externa e passam a atingir o funcionamento interno da instituição.
No caso de Alexandre de Moraes, portanto, o que está em discussão não deve ser apresentado como uma condenação ou como prova definitiva de irregularidade, mas como a existência de elementos e questionamentos que ganharam peso suficiente para alimentar uma disputa institucional dentro do STF. É justamente essa dimensão que torna o episódio politicamente relevante: se as investigações produzirem novos elementos, o assunto poderá adquirir consequências muito maiores para a própria Corte.
A proximidade das eleições de 2026 aumenta ainda mais a importância desse cenário. O resultado das urnas poderá alterar a composição futura do Supremo, enquanto as atuais disputas internas podem influenciar a maneira como a Corte enfrentará os grandes conflitos políticos do país. Assim, na leitura de Waack, o que está acontecendo no STF não pode ser separado da disputa pelo futuro político e institucional do Brasil.

Levantamento citado pela imprensa mostra que o próximo presidente poderá participar da escolha de uma parcela relevante dos integrantes dos tribunais superiores. No caso específico do STF, quatro das onze cadeiras poderão mudar até 2030.
Isso significa que a eleição de 2026 não determinará somente quem ocupará a Presidência da República.
Ela poderá ajudar a definir quem ocupará o Supremo e, portanto, quais visões jurídicas terão maior peso na Corte durante os próximos anos.
É justamente nesse ponto que a análise de Waack ganha dimensão política.
#A incógnita são as eleições
A eleição introduz uma variável que nenhum dos atores institucionais pode ignorar.
De um lado, existe o presidente que será eleito e terá o poder constitucional de indicar ministros para vagas que surgirem no Supremo.
De outro, existem os próprios ministros, cuja atuação institucional ocorre em um ambiente cada vez mais politizado e diretamente relacionado aos grandes conflitos nacionais.
O resultado é um cenário em que as eleições passam a funcionar como uma espécie de horizonte estratégico para diferentes grupos políticos e institucionais.
Não se trata simplesmente de saber quem ganhará a Presidência.
Trata-se de saber qual projeto político terá influência sobre o Judiciário brasileiro durante a próxima década.
#A disputa não é apenas entre esquerda e direita
Um dos pontos mais importantes para compreender esse cenário é não reduzir a questão a uma simples disputa ideológica entre esquerda e direita.
O próprio funcionamento interno do Supremo passou a apresentar divergências importantes entre seus integrantes.
A Corte não é necessariamente um bloco monolítico.
Ministros possuem diferentes interpretações jurídicas, diferentes trajetórias profissionais e diferentes visões sobre os limites da atuação do Judiciário diante dos demais Poderes.
Essas diferenças tornam-se especialmente importantes quando estão em discussão temas de enorme repercussão política.
E, à medida que as eleições de 2026 se aproximam, qualquer mudança na composição do STF ganha importância adicional.
#O fator Banco Master
O ambiente institucional também é influenciado pela crise envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro, assunto que passou a atingir diferentes setores da República e também chegou ao Supremo.
Há atualmente disputas políticas e institucionais relacionadas à investigação do caso, inclusive em torno da instalação de uma CPI no Senado. Um mandado de segurança relacionado à criação da comissão permanecia sem decisão do ministro Kassio Nunes Marques, segundo informações publicadas em julho.
O episódio tornou-se particularmente sensível porque envolve relações entre empresários, políticos, instituições financeiras e integrantes do próprio sistema de Justiça.
Por isso, o caso acrescenta mais uma camada de tensão ao ambiente institucional.
#O próximo presidente terá uma responsabilidade excepcional
A consequência mais importante desse cenário é que a escolha do eleitor em 2026 poderá produzir efeitos sobre o Judiciário por muitos anos.
Não será apenas uma escolha entre candidatos à Presidência.
Será também, indiretamente, uma escolha sobre o perfil das instituições que poderão ser formadas ao longo do próximo ciclo político.
O próximo presidente poderá indicar ministros do STF e participar da formação de uma nova correlação de forças na Corte. A imprensa já aponta que a mudança poderá alcançar quatro dos atuais onze ministros até 2030.
Isso torna a eleição presidencial ainda mais relevante para quem acompanha a relação entre Executivo, Legislativo e Judiciário.
#Uma disputa que acontece nos bastidores
É justamente aí que está uma das principais características do cenário descrito por Waack.
As disputas mais importantes nem sempre aparecem publicamente.
Elas podem ocorrer em torno da definição de pautas, da interpretação das regras internas, da relação entre os ministros e da influência que cada grupo procura exercer sobre os grandes temas nacionais.
Quando se acrescenta a isso a proximidade de uma eleição presidencial capaz de alterar a composição da Corte, as divergências internas passam a adquirir um peso político muito maior.
A eleição deixa de ser apenas uma disputa pelo Executivo.
Passa a representar também uma disputa sobre o futuro equilíbrio institucional brasileiro.
#O eleitor precisa compreender o que está em jogo
Essa talvez seja a principal consequência política desse cenário.
O cidadão comum pode olhar para a eleição presidencial apenas como uma escolha entre candidatos e programas de governo.
Mas as consequências podem ser muito mais amplas.
O presidente eleito poderá influenciar a composição do STF, dos tribunais superiores e, consequentemente, a interpretação de questões constitucionais durante anos.
Por isso, compreender a eleição de 2026 exige olhar para além da campanha eleitoral.
O que estiver sendo decidido nas urnas poderá repercutir diretamente na estrutura do Estado brasileiro.
#O STF depois de 2026
A grande pergunta, portanto, não é apenas quem ocupará o Palácio do Planalto.
É também que Supremo Tribunal Federal existirá depois das eleições de 2026.
Quais ministros permanecerão?
Quais serão substituídos?
Que perfil terão os novos integrantes?
Como se reorganizarão as correntes internas?
E, principalmente, como ficará a relação do STF com o Executivo e o Congresso Nacional?
Essas questões ajudam a explicar por que as eleições acirram disputas internas de grande relevância dentro da própria Corte.
O eleitor escolherá o próximo presidente.
Mas, pelas regras constitucionais, esse presidente poderá participar de escolhas que influenciarão o Judiciário muito depois de seu próprio mandato terminar.
A eleição, portanto, não definirá apenas quem governa o Brasil. Poderá também ajudar a definir quem interpreta a Constituição brasileira nos próximos anos.
Editorial O Código 22 — texto elaborado a partir da linha de análise de William Waack e de informações públicas utilizadas para contextualização.
Fonte: Estadão / Imagem de capa gerada por I.A


















